‘Comia tripas e lesma’: brasileiros vítimas de tráfico humano na Ásia conseguem voltar para casa após 4 meses; entenda o caso

Nathalia e Patrick: drama de 4 meses sob a mira de sequestradores. Foto: Reprodução
WhatsApp Image 2022-07-15 at 09.14.17
ABC_OK-300x266
viatec-300x266
Benhur_BannerSite-300x266
lojaswagner_ok-300x266
Roque_2021-300x266
sicredi_ok-300x266
Imagem do WhatsApp de 2024-08-21 à(s) 08.33.39_6c2f42a8
BANNERSANTAINESNOVO
mart
bannter-site-cresol-consórcio_500x500px
607215935_1452982560064486_1535166482684901451_n
S-250760276 - Criação Campanha (PROCAP SICOOB CREDIAL 2026) 400x400px
baner rústica Observador

Atraída por uma proposta de trabalho sedutora em Bangcoc, na Tailândia, divulgada nas redes sociais, Nathalia Belchior Munhoz, de 25 anos, moradora de Ribeirão Pires (SP), decidiu apostar todas as fichas no que, acreditava até ali, seria uma grande oportunidade para mudar o patamar de sua vida e, sobretudo, de suas filhas. Afinal, viveria em uma das capitais mais agitadas do mundo, num país de praias paradisíacas, e havia a promessa de que ganharia, por mês, US$ 1,5 mil dólares – cerca de R$ 8 mil, para um trabalho simples, em um call center. Para a primeira viagem a um país desconhecido, resolveu convidar o amigo, Patrick da Silva Palma de Lopes, também de 25 anos, para acompanhá-la. Eles embarcaram no dia 12 de julho. Começava ali, já no desembarque, o que a família define hoje como um pesadelo, que se estenderia pelos quatro meses seguintes. Sob ameaça armada de uma milícia asiática, eles foram sequestrados, tiveram meios de contato limitados e, vítimas de tráfico humano, foram obrigados a trabalhar em um esquema internacional de extorsão, em condições análogas à escravidão.

Nesta quarta-feira (16), o caso teve um desfecho. Nathalia e Patrick desembarcaram no Brasil e voltaram para casa. Mas o caminho percorrido até um final feliz foi longo. “Estamos exaustos”, definiu o pai, Cristiano de Lima Munhoz, à reportagem. Ele e a mãe, Vanessa Aparecida Munhoz contaram ao GLOBO sobre a tensão vivida nos últimos 4 meses, do cárcere até a libertação. Antes, Cristiano falou sobre o alívio de voltar a ter as filhas nos braços.

– Vivemos uma mistura de sentimentos durante a expectativa da chegada deles. Momentos de felicidade, nervosismo, angústia, choro. Ao vê-los e tocá-los, tudo isso foi desmoronando. O alívio de saber que eles estavam salvos de um país que se encontra em guerra civil, violento, um ambiente inóspito. Tanta coisa negativa, com o Natal chegando e minha filha do meio prestes a ter um bebê… imagina a minha situação – relatou, emocionado. – Quando desembarcaram, foi uma emoção só. Sensação de alívio, paz e gratidão a Deus. Eu ganhei um presente de Deus!

Ele conta que, durante todo o período em que a filha e o amigo estiveram sob o poder dos criminosos, as famílias viveram momentos de angústia e desespero.

– Foram noites sem dormir direito, sem comer… passamos por grandes dificuldades e tivemos que montar um quebra-cabeça. Enfrentamos muitos jogos de empurra, informações que não se encontravam… Não tivemos apoio de autoridades locais, até que as coisas foram clareando… Enviei informações ao Itamaraty e comecei a fazer contato em Yangon (cidade de Myanmar). A carga de estresse foi enorme. E, quando estávamos nos preparando para ir ao Itamaraty, em Brasília, recebemos as informações da libertação – relembra.

Receba as notícias do Site OBSERVADOR REGIONAL no seu celular:CLIQUE AQUI e faça parte do nosso grupo de WhatsApp

O ‘pesadelo’

A família de Nathalia conta que tudo começou quando ela viu um anúncio da vaga de emprego do outro lado do mundo no Instagram e se interessou ao ver que se enquadrava dentro do perfil. O homem, responsável pela divulgação, se apresentava como André.

–Não sei ao certo se o rapaz ela já conhecia ou não, mas ela me pediu opinião e eu fui contrário, não havia gostado da idéia, por algumas razões lógicas. Uma delas, por causa das filhas dela. Outra, por questões da minha saúde. Minha esposa é muito ausente por conta de sua profissão, de técnica em enfermagem. Mas, por fim, ela aceitou a proposta e nos comunicou, dizendo que precisava trabalhar e sustentar as filhas dela. Mesmo contrariados, aceitamos – conta Cristiano.

Fome e frio na cela

Nathalia relatou que viajou durante dois dias de carro após desembarcar em Bangcoc, até a chegada num local chamado KKparque, já em Myanmar: uma espécie de condomínio dominado e vigiado pela milícia que a sequestrara.

Trabalho consistia em golpes financeiros

Os sequestradores deixavam que ela e Patrick ficassem com seus celulares. Mas não podiam filmar, apenas realizar ligações rápidas. Foi assim que ela conseguiu se comunicar com a família, mas sempre de forma sutil, tentando tranquiliza-los. Após alguns meses, no início de setembro, o temor começou a se intensificar e ela começou a dar maiores detalhes aos parentes sobre o que estava acontecendo. Antes, já havia dito, através de um áudio, para que eles entrassem em contato com autoridades policiais caso ela desaparecesse por dois dias ou mais.

Compartilhe:

ABC_OK-300x266
viatec-300x266
Benhur_BannerSite-300x266
WhatsApp Image 2022-07-15 at 09.14.17
lojaswagner_ok-300x266
Roque_2021-300x266
sicredi_ok-300x266
Imagem do WhatsApp de 2024-08-21 à(s) 08.33.39_6c2f42a8
BANNERSANTAINESNOVO
mart
bannter-site-cresol-consórcio_500x500px
607215935_1452982560064486_1535166482684901451_n
S-250760276 - Criação Campanha (PROCAP SICOOB CREDIAL 2026) 400x400px
baner rústica Observador

MAIS LIDAS

SELLNET-300x158
zanella
farmsantinesnova
Roque_2021-300x266-1-seo