O desaparecimento do caminhoneiro Tiago Roberto Berardi segue sendo um mistério em Passo Fundo. Nesta segunda-feira (01), ele completaria 38 anos de idade. A data, que poderia ser de comemoração, é marcada pela angústia da família, que há quase sete meses convive com o silêncio e a incerteza.
Berardi foi visto pela última vez em 8 de fevereiro deste ano. Naquele dia, saiu de casa, no bairro Leão 13, informando à esposa que iria até Ronda Alta, a 77 quilômetros de distância, para negociar a compra de um caminhão. Para chegar até o local, avisou que pegaria carona com “uns guris”, não identificados, que o buscaram na esquina de casa. Desde então, não deu mais notícias.
As últimas horas conhecidas
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), Tiago levava consigo o celular e disse que iria até um posto de combustível para encontrar o vendedor. A esposa, Angélica, procurou imagens de câmeras de segurança no local entre 22h15min e 23h15min — período em que ele deveria ter chegado —, mas não encontrou registro dele, nem do caminhão que estaria interessado em comprar.
O celular também deixou de atender ligações logo após sua saída de casa. Informações sobre as últimas chamadas feitas por Tiago não foram acessadas pela família, já que a operadora não fornece dados a terceiros.
Investigações e buscas
O caso é acompanhado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, sob responsabilidade da delegada Daniela Mineto. Até o momento, porém, a polícia diz não ter avanço nas investigações.
Amigos e familiares se mobilizaram em buscas logo após o desaparecimento. Grupos chegaram a percorrer bairros, estradas, lavouras, banhados e áreas de mata em Passo Fundo e região. Mesmo com os esforços, nenhum vestígio do caminhoneiro foi localizado.
A dor da família
A esposa, Angélica, conversou com o repórter Bruno Reinehr e contou à reportagem que, nos primeiros meses após o desaparecimento, fez diversas divulgações em rádios, jornais e redes sociais, na tentativa de obter informações. Contudo, segundo ela, o retorno foi marcado por boatos e comentários maldosos, o que a fez interromper as postagens públicas.
— Eu divulguei bastante no início, mas não chegou nenhuma notícia favorável pra gente. Só comentários maldosos, até nas próprias reportagens. Isso só magoa, porque eu, como mulher, estou sofrendo. A gente tem nosso filho pequeno e vive sempre na esperança de que ele vai voltar, mas as pessoas falam coisas que machucam — desabafou.
Mesmo com a dor e a rotina de incertezas, Angélica afirma que continua aguardando por notícias que possam esclarecer o caso.
— Nestes sete meses não tive nenhuma informação de nada. Nenhum amigo, de amigo, de conhecido, trouxe algo que pudesse ajudar. Mas tudo pode mudar. A gente vive na expectativa de que alguma notícia chegue um dia — disse.
Mistério sem solução
Quase sete meses depois, o desaparecimento de Tiago Roberto Berardi segue sem desfecho. Sem pistas concretas, a família enfrenta diariamente a ausência e a falta de respostas.
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Reportagem: Bruno Reinehr / Rádio Uirapuru























