Terminou por volta das 12h40min deste domingo (23) a audiência de custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão dele foi mantida após o procedimento.
Na audiência — obrigatória em casos de prisão preventiva —, o ex-presidente alegou que a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica foi devido a um surto causado por medicamentos. Bolsonaro também afirmou ter tido uma “alucinação”, de que havia uma escuta no equipamento.
“Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente respondeu que teve uma ‘certa paranoia’ de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada”, diz trecho da ata da audiência.
“Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia”, afirma o texto.
Durante a audiência, Bolsonaro também negou o intuito de tirar a tornozeleira para fugir do país. Já sobre a vigília convocada pelo filho Flávio, o ex-presidente afirmou, segundo a ata, que “o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga”.
Prisão de Bolsonaro
Bolsonaro foi preso no começo da manhã de sábado por ordem de Moraes. O pedido foi feito pela Polícia Federal.
A decisão ainda não marca o início do cumprimento da pena imposta ao ex-presidente no caso da trama golpista. Em setembro, Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado.
A decisão de Moraes que converteu a prisão domiciliar — na qual Bolsonaro estava desde 4 de agosto por descumprimento de medidas cautelares — em prisão preventiva se baseou em dois pontos principais: o risco iminente de fuga e uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho dele, para a noite de sábado.
O ministro citou ainda que foi constatada uma violação da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente. Bolsonaro admitiu ter usado ferro de solda para violar o equipamento na madrugada de sábado.
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Fonte: GZH























