Há dois anos, cavalo Caramelo era resgatado da enchente no RS em operação interestadual acompanhada em tempo real; relembre

Cavalo Caramelo comendo após ter sido resgatado. — Foto: Reprodução/Eduardo Paganella
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Há exatos dois anos, uma cena que refletia a angústia de um estado inteiro se transformava em alívio e passaria a se tornar símbolo de resiliência. Em 9 de maio de 2024, um cavalo foi resgatado cerca de quatro dias depois de ser flagrado ilhado no telhado de uma casa em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, pelo Globocop. (Relembre no vídeo acima)

🐴 Por conta da coloração de sua pelagem, o equino foi batizado de Caramelo.

🔎 O RS foi atingido por uma enchente histórica em maio de 2024, que provocou danos em quase todos os municípios, devastou cidades — especialmente da Região Metropolitana e Vale do Taquari —, retirou milhares de casa e deixou 185 mortos, além de 23 desaparecidos, 805 feridos e 2,3 milhões de afetados. De todo o país, voluntários e doadores se mobilizaram para prestar ajuda aos atingidos.

O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, e veterinários acompanharam toda a ação. Para ser retirada do local, o animal foi sedado, deitado e colocado em um bote.

Foi uma operação complexa, pois o animal pesava de 450 a 500 kg e foi preciso avaliar seu estado físico, temperamento e o tempo que ele se encontrava preso.

Devido às suas condições de saúde, após passar dias sem se alimentar ou tomar água e praticamente imóvel, Caramelo ainda corrida risco de vida no momento do salvamento. Enquanto transportavam o cavalo, os veterinários seguiram aplicando a medicação para que ele permanecesse sem se mexer.

💧 O cavalo também recebeu litros de soro para repor a quantidade de líquido que perdeu enquanto ficou ilhado.

Por fim, o bote que transportou o equino foi retirado da água ainda com o cavalo dentro, colocado em um caminhão e transportado. Ele foi levado a um hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdido.

Caramelo passaria então a se tornar um símbolo de resistência para o povo gaúcho, que, naquele momento, contava mortos, buscava por desaparecidos e ainda convivia com bairros inteiros submersos em diferentes cidades.

Dois anos depois, Caramelo nem parece mais aquele mesmo cavalo frágil e debilitado. Mais saudável, forte e pesado, o animal agora virou celebridade e tem até agenda de eventos.

“O Caramelo é uma referência. Para nós, a forma como ele aguentou essa situação toda, e possivelmente grande parte da população do estado também”, explica a médica veterinária Laura Martins Cezimbra.

Laura é coordenadora do Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, onde Caramelo mora agora.

Na universidade, o animal tem vida pacata, dormindo em baia própria durante a noite e pastando livre durante o dia. Mas a rotina do cavalo-celebridade também é dividida com visitações e agenda de eventos.

“Temos um sistema de agendamento, e as visitas são acompanhadas. No período de férias escolares, teve bastante: dois, três grupos no mesmo dia. A agenda dele é bem diversa. Nesse fim de semana, por exemplo, ele foi num evento como presença VIP lá no Jockey Club, em Porto Alegre.”

Fora dos holofotes, Caramelo é um cavalo dócil, apesar de tudo. Adora comer alfafa e recentemente descobriu a cenoura, que entrou ema sua dieta como ingrediente especial.

O passatempo preferido do equino é “gramear” (quando cavalos são colocados para pastar em áreas com grama) na área externa da universidade.

“Ele sai da baia de manhã, e o pessoal da graduação que faz estágio leva ele para escovar, pois isso melhora a circulação. Tem toda uma questão de comportamento para ele se sentir, digamos, acariciado. Os cavalos têm esse comportamento de estar sempre junto de outros cavalos”, conta Laura.

“Cavalo gosta mesmo é de gramear. Ele está bem ‘gordinho’ também, porque está bem abastecido de comida e tem bastante pasto aqui. Ele relincha bastante, principalmente quando vê outros cavalos. Os equinos têm esse comportamento de interagir”, explica a veterinária.

Laura não estava na universidade durante as enchentes, quando Caramelo foi resgatado, mas estima que ele tenha ganhado cerca de 100 kg desde que chegou ao campus.

“Ele estava muito magro, praticamente caquético. Dava para ver as costelas, os ossos do púbis, da pelve, no lombo. Na garupa, que a gente chama, estavam bem evidentes”.
Apesar do “susto”, Laura afirma que Caramelo não demonstra nenhum sinal de traumas. “Ele fica ‘grameando’ na chuva tranquilamente. Não tem nenhum comportamento que reflita alguma questão de trauma”.

Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas — Foto: Bruna Linck/Ascom Ulbra

 

FONTE: G1RS

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