Uma investigação da Polícia Civil levou à identificação de dois torcedores do Inter por ofensas racistas ao técnico Roger Machado. As publicações na internet foram feitas no período em que ele atuava no clube, em agosto do ano passado. O caso foi concluído nesta semana pela equipe do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Derc).
As ofensas foram divulgadas por meio de duas contas no X. Numa das postagens, em 20 de agosto de 2025, uma das contas se refere ao técnico como “esse macaco lix@ de treinador”. Em outra, a outra conta escreve: “Tendo o macaco do roger como treinador n (não) eh de se esperar menos”.
Ao longo da investigação, a polícia conseguiu chegar ao nome de um morador de Porto Alegre e de outro do Paraná como responsáveis pelas publicações. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.
— A vítima procurou o Derc para registrar uma ocorrência policial referente a injúrias discriminatórias na plataforma X, antigo Twitter. Ele disse que chegou ao seu conhecimento através do próprio clube, que faz uma análise nesse sentido, pelas políticas antirracistas. De imediato, representamos judicialmente por medidas de quebras telemáticas dessa plataforma — explica a delegada Isadora Galian, responsável pela investigação.
Por meio da análise dessas quebras telemáticas, a polícia conseguiu chegar aos nomes dos dois suspeitos, que foram interrogados. Apesar de terem negado serem os autores das ofensas, os investigados confirmaram que realmente administravam esses perfis.
— As pessoas acreditam veementemente que, pelo fato de estarem escondidas em perfis fakes, acabam sendo anônimas e que não vão responder, mas é um delito grave. Hoje não há mais espaço para tolerar qualquer manifestação de cunho racista. O Derc tem atuado junto tanto dos clubes de futebol quanto dessas plataformas, para tentar reprimir e combater, não só, e responsabilizar esses criminosos, porque, na verdade, proferir injúrias de cunho discriminatório é crime — diz a delegada.
A polícia também solicitou à Justiça que as publicações fossem retiradas do ar e o pedido foi atendido.
Na quarta-feira (24), a Polícia Civil indiciou o morador do Paraná pelo crime de injúria discriminatória. Ao ser interrogado, ele confirmou que tinha esse perfil na internet, mas alegou que não se recordava dessas publicações.
O outro suspeito, de Porto Alegre, foi interrogado, mas a polícia decidiu solicitar à Justiça que ele passe por exames para avaliar a sua condição mental.
— No deslinde do seu interrogatório, houve uma dúvida em relação à capacidade dele de entender a ilicitude do seu ato. E, por essa razão, nós representamos pela instauração de incidente de sanidade mental para que seja avaliado. Ele vai passar por exames periciais para que a gente possa entender se ele efetivamente tinha a ciência, a plenitude das suas faculdades mentais e possa responder por esse crime — explica Isadora.
Roger deixou o Inter em setembro do ano passado. Neste ano, o treinador comandou o São Paulo por dois meses.
Fonte: GZH
Foto: Duda Fortes / Agencia RBS





















