Às vésperas das eleições, caso Lulinha tem reviravolta após PF não cumprir prazo do STF

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A PF (Polícia Federal) informou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que precisará de mais tempo para concluir a análise do material apreendido na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes no INSS.

Entre as provas que ainda serão examinadas estão os dados obtidos com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

O ministro havia dado à PF um prazo de 60 dias para analisar celulares, HDs, pen drives e outros equipamentos apreendidos com presos e investigados da operação. A determinação foi feita após Mendonça demonstrar preocupação com a demora no andamento do inquérito.

O atraso também chama atenção pelo momento em que acontece. Faltando cerca de quatro meses para as eleições presidenciais de 2026, a investigação que envolve Lulinha continuará em andamento durante a campanha eleitoral e tem potencial de trazer desgasta à campanha de Lula.

PF aponta falta de equipe para justificar atraso

Ao prestar esclarecimentos ao STF, a Polícia Federal informou que conseguirá concluir, em cerca de 30 dias, apenas a análise do material recolhido com os presos. Já os equipamentos apreendidos com os demais investigados devem levar até seis meses para serem examinados.

Segundo a corporação, o principal motivo para o atraso é a falta de pessoal. Hoje, apenas 11 policiais trabalham na investigação, embora a estimativa seja de que mais de 40 agentes seriam necessários para dar conta da demanda.

Além disso, a operação reúne aproximadamente 1.700 itens apreendidos, entre celulares, computadores, HDs e pen drives. Desse total, apenas cerca de 40% do material foi analisado até agora.

Mudanças na investigação preocupam o STF

Além de cobrar mais agilidade, André Mendonça determinou que a equipe responsável pelo caso fosse mantida e que qualquer mudança no grupo de investigadores fosse devidamente justificada.

O pedido ocorreu após uma série de alterações na condução da operação. A própria Polícia Federal informou que o delegado que comandava o caso precisou deixar a investigação para retornar à sua região de origem.

Antes disso, o inquérito já havia sido transferido da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, unidade especializada em investigações que envolvem autoridades com foro privilegiado.

A PF afirmou que a mudança buscou dar mais eficiência aos trabalhos. Já Mendonça avalia que as constantes trocas de equipe acabaram contribuindo para aumentar a demora na conclusão da investigação.

Nos bastidores apurados pela Folha de S. Paulo, autoridades que acompanham o caso também observam que a Operação Sem Desconto, iniciada em abril de 2025, avança em ritmo mais lento do que a Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

O que é investigado sobre Lulinha

Uma das linhas de investigação busca esclarecer se Lulinha teria atuado como sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema investigado.

As mudanças na condução do inquérito também alimentaram críticas da oposição, que passou a levantar suspeitas de uma possível proteção ao filho do presidente.

A Polícia Federal, por outro lado, sustenta que as alterações tiveram caráter administrativo e foram feitas para fortalecer a estrutura da investigação.

Delação e investigado foragido seguem pendentes

Outro assunto que ainda aguarda definição é a tentativa de acordo de colaboração premiada do empresário Maurício Camisotti. As negociações entre a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) estão em andamento desde maio.

Uma primeira proposta chegou a ser enviada ao STF, mas foi devolvida após a PGR afirmar que não participou das tratativas e pedir que todo o processo fosse reiniciado.

A investigação identificou que empresas ligadas a Camisotti receberam recursos da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das entidades investigadas por descontos considerados irregulares em benefícios do INSS. Apesar do impasse, a colaboração do empresário continua sendo a mais avançada entre os investigados que manifestaram interesse em fechar um acordo.

A Polícia Federal também ainda não apresentou ao STF novidades sobre as buscas por Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), que segue foragido.

Lopes é apontado pela investigação como um dos líderes do esquema de fraudes atribuído à entidade e teve a prisão preventiva decretada por André Mendonça. Segundo levantamento da CGU (Controladoria-Geral da União), a Conafer foi a segunda associação que mais realizou descontos em aposentadorias entre 2019 e 2024, totalizando R$ 484 milhões. O dirigente nega participação nas irregularidades e já declarou que não pretendia fugir caso tivesse a prisão decretada pelo STF.

Fonte: ND MAIS

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