Cavalo exausto cai ao puxar carroça em subida e reacende debate sobre tração animal em Cruz Alta

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Animal caiu durante o transporte de uma carga de papelão no bairro Ferroviária; caso mobilizou moradores, poder público e reforça a necessidade de soluções para proteger os animais e garantir alternativas aos trabalhadores da reciclagem.

Um cavalo utilizado para tração de uma carroça carregada com papelão caiu no início da noite desta terça-feira (7), por volta das 19h, enquanto tentava vencer a subida da Rua Doutor Walthier, no bairro Ferroviária, em Cruz Alta. Sem forças para continuar o percurso, o animal tombou sobre a via, provocando a imediata mobilização de moradores da região.

Sensibilizadas com a situação, pessoas que presenciaram a cena levaram água ao cavalo e auxiliaram até que ele conseguisse se levantar. Paralelamente, foram acionadas equipes da Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal e da Brigada Militar para atender a ocorrência e adotar as providências cabíveis.

De acordo com as informações divulgadas, o cavalo será recolhido pela Secretaria de Bem-Estar Animal, enquanto o proprietário deverá ser autuado e responder por maus-tratos. O episódio reforça uma realidade que há anos desperta preocupação de entidades de proteção animal e da própria comunidade, diante da recorrência de casos envolvendo animais submetidos a jornadas exaustivas e cargas incompatíveis com sua capacidade física.

Embora o Rio Grande do Sul ainda não possua uma lei estadual que proíba o uso de veículos de tração animal, o Código Estadual de Proteção aos Animais (Lei nº 11.915/2003) estabelece regras para essa atividade. A legislação proíbe submeter animais a esforços superiores à sua capacidade, utilizá-los quando estiverem doentes, feridos ou extenuados, além de vedar jornadas prolongadas sem descanso, água e alimentação. Caso seja constatado que o cavalo foi submetido a excesso de carga ou trabalho incompatível com suas condições físicas, a conduta pode caracterizar infração à legislação estadual e também crime de maus-tratos, conforme a legislação federal.

O caso também recoloca em evidência a discussão sobre o projeto de lei que tramita em Cruz Alta para proibir a utilização de cavalos em veículos de tração animal. A proposta busca evitar novas situações de sofrimento, mas também impõe um desafio ao poder público: construir alternativas para as famílias que dependem das carroças, especialmente trabalhadores da reciclagem, cuja atividade representa a principal fonte de renda. A proteção aos animais é uma necessidade inadiável, mas a transição exige políticas públicas que ofereçam condições dignas para que esses trabalhadores possam continuar exercendo sua atividade por outros meios, sem que o combate aos maus-tratos resulte também em exclusão social.

Jornal O Alto Jacuí
Foto e informações: Repórter Fábio Marangon

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