A menos de um mês de ser julgado, sócio da Kiss fala sobre estratégia de defesa e a rotina nos anos após o incêndio

Elissandro Spohr falou com GZH no escritório de seu advogado, em Porto Alegre Lauro Alves / Agencia RBS
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Faltando menos de um mês para o júri do processo que apura as responsabilidades pela tragédia na boate Kiss, um dos ex-donos da casa noturna, Elissandro Spohr, o Kiko, concedeu uma entrevista exclusiva a GZH. Disse parecer ainda não ter saído do dia 27 de janeiro de 2013, quando a boate pegou fogo, matando 242 pessoas e deixando 636 feridas. Ele conversou com a reportagem por mais de uma hora, em Porto Alegre, no escritório do advogado Jader Marques, que o defende desde o início do processo.

Kiko conta que evita sair às ruas e manifesta ansiedade para o julgamento, marcado para 1º de dezembro. Também diz que tem medo do resultado, mas que é preciso enfrentar e respeitar o que for decidido. Ele dispara contra o Ministério Público (MP), inclusive dizendo que o órgão é o principal culpado pela tragédia, referindo-se ao termo de ajustamento de conduta (TAC) que permitia o funcionamento da boate na época. Afirma que gostaria de ter uma oportunidade de se encontrar com os pais das vítimas e também sobreviventes para explicar tudo o que aconteceu.

Ele prefere não atribuir responsabilidades aos integrantes da banda Gurizada Fandangueira. O vocalista Marcelo de Jesus dos Santos empunhava o artefato pirotécnico que deu início ao incêndio quando atingiu a espuma do teto do palco. Luciano Bonilha Leão, produtor de palco, também réu, foi quem acendeu o fogo de artifício e entregou ao companheiro de banda. Kiko também evita atribuir qualquer responsabilidade a Mauro Hoffmann, seu sócio na boate e também réu na ação. Diz que ele não tinha qualquer ingerência na casa noturna e que o interesse dele era exclusivamente de investidor. Morando em Porto Alegre, Kiko mantém sua renda por meio do negócio familiar que envolve compra e venda de pneus.

Confira a entrevista

Como foram esses quase nove anos respondendo a um processo pela morte de 242 pessoas e o ferimento de outras 636?
Basicamente, vivo o dia 27 (27 de janeiro de 2013, data do incêndio). É como se eu tivesse congelado lá no dia 27 de janeiro. Não tem sido uma coisa muito simples. Quando aconteceu, acabei indo para a cadeia. De lá, a gente ficou quatro meses, eu fui para Tramandaí, onde eu fiquei, não sei exatamente quanto tempo, só dentro de casa. A minha mulher estava grávida. Tive de sair do isolamento que eu estava para tentar acompanhar o parto. E aí a gente acaba vindo morar em Porto Alegre. O que me lembro dessa situação e que me marca muito é ir comprar uma fralda, ficar com o carro ligado, a minha mulher entrar numa farmácia e voltar para dentro do carro. Eu ficava com os faróis desligados. E voltar para a casa. Eu tenho vivido essa angústia. E quando a gente foi preso, que pensei que a gente pudesse explicar (o que aconteceu e assim) o sentimento iria melhorar. Saí da cadeia e não melhorou. Quando acontecer isso ou aquilo, vai melhorar. Não tem melhorado. Quando eu der o depoimento, vai melhorar, vai mudar alguma coisa. Não tem mudado. Segue essa sensação de não saber o que vai ser o amanhã. Viver dessa forma não é uma coisa normal.

O que mudou na sua vida de lá para cá, na prática? O que você fazia e que não pode mais fazer?
Tocar (Kiko tinha uma banda), por exemplo. Nunca maisNem cogito uma situação dessa. Em festa também não vou. Hoje vou em mercado, em farmácia. Mas não tenho uma vida normal como tinha antes. A máscara, agora com a pandemia, tem facilitado, digamos assim, para eu poder sair em público. Não vou em lugares que têm muita gente.

Por que a decisão de sair de Santa Maria?
Não tinha como ficar em Santa Maria. Fui muito ameaçado. Não tem como ficar em Santa Maria. Não tinha como ficar e não tenho. No dia que saí da cadeia me levaram direto para Tramandaí. E fiquei em isolamento, dentro de um apartamento. Não saía para nada. De lá, vim para Porto Alegre. Fiquei, também, muito dentro de casa. Saía só para comprar alguma coisa. Moro em Porto Alegre.

Você disse que tem filho. Comentou com eles tudo isso?
Tenho uma filha de oito (anos) e outra de cinco. Com a de oito, já tenho conversado isso com ela. Bem ruim. Hoje até a preocupação já não é tão grande comigo quanto com elas. É meio delicado de falar.

Alguma vez, antes do dia da tragédia, houve show pirotécnico na Kiss?
Não, nunca teve.

As pessoas dizem que ocorriam.
Shows, tenho absoluta certeza (que não ocorriam shows pirotécnicos). Até no dia do meu depoimento, levei uma lista com todas as bandas. Está nos autos. Todas as bandas. E deixei à disposição para ligarem. E faço isso contigo. Você pode ligar sem eu falar nada. Me digam qual a banda. Podem ligar e perguntar.

Você sabia que a banda Gurizada Fandangueira usava fogos de artifício nas suas apresentações?
Até preferia não falar muito sobre os músicos. Porque a minha defesa não se baseia em acusar os músicos. Nunca vi. Eu toquei com a Gurizada Fandangueira. Acho que eu toquei umas duas, três, quatro vezes. Não toquei só na Kiss com eles. Toquei em Caçapava (do Sul) e em outros lugares e eles não usaram. Eu tenho um dado que é falado por um deles que a banda fazia três meses que tinha voltado a usar isso. Que eles usavam isso não sei quando. E que teriam voltado a fazer esse show pirotécnico havia três meses. Eu tenho o flyer (material de divulgação), que eu apresentei também nos autos, que (diz que) o último show deles antes do de janeiro (data da tragédia), tinha sido em outubro. Eu tenho uma outra teoria que se tivessem feito (shows com fogos), teria pego fogo antes. O Marcelo, o vocalista, eu tenho certeza que se ele soubesse que tinha uma coisa que pegasse fogo na mão dele, ele não cantaria “alto em cima, alto em cima” (trecho da música cantada no momento em que a fagulha do artefato atinge a espuma acústica e começa o incêndio). Por quê? Tinha cortina, tinha público, tinham os integrantes da banda, tinha fio, tinha equipamento. Vamos parar para pensar: se eu sei que tenho um negócio na mão que pega fogo, eu pularia? Alguém pularia? Claro que não. Não posso acreditar nisso. Como também acho que o Luciano não tinha noção do que estava fazendo ou comprando.

Por que você usou aquele tipo de espuma no isolamento acústico da casa?
Simples e direto. A espuma só existe por causa do promotor Ricardo Lozza, por causa do Ministério Público (leia contraponto abaixo). A espuma só existe porque fui obrigado a fazer um termo de ajustamento de conduta (TAC) pelo som das festas, que incomodava os vizinhos. Se não tivesse tido essa situação, não teria espuma dentro da boate. A Kiss passou por diversas melhorias e tentativas de resolver essa questão do som. Eu fui até o promotor e ele me disse com as palavras dele: “Procura fulano, fulano, fulano que usaram espuma e fizeram isolamento acústico”. A espuma era de uso comum.

A espuma era a adequada?
A gente passou por várias tentativas de resolver o problema. Construímos uma parede de ponta a ponta, trocamos o palco de lugar. Tinha um engenheiro, que era um engenheiro acústico que foi contratado pelos antigos donos, que eu seguia contratando ele. Consequentemente, ele contratou um outro que acabou me atendendo com ele. Esse engenheiro me falou de outros projetos com isolamento acústico. Tentamos de tudo para se resolver. Não se resolveu. Esse engenheiro que tinha sido contratado em segundo plano tinha ido morar em Uruguaiana. Eu ligava, ligava e o cara não me atendia. Discutimos por telefone e o cara não me atendia. Tu sabe que, quando o cara está te enrolando, ele para de te atender. Eu já tinha gastado uma fortuna em parede, em troca aqui e muda lá. Isso não foi fácil. Tem as fotos. A gente praticamente refez uma boate para tentar resolver. Eu liguei para o Samir (Samir Samara), que era o outro engenheiro. Ele me disse: “Cara, eu já te falei que tu tens de fazer um tratamento acústico aí. Tu vai ter de botar espuma em todo o teto e em toda a parede, senão não vai. Tu tem de baixar o som”. Eu digo: “Cara, então vem e coloca”. Essas foram as minhas palavras. Vem e coloca, porque eu não posso ficar assim. Vão fechar (a boate), estão me incomodando. Ele chegou a ir junto comigo no promotor.

Mas o Pedroso (engenheiro Miguel Ângelo Pedroso) não te aconselhou o uso de espuma.
Realmente, o Pedroso, não. Por isso, fizemos a parede de pedra. A indicação do Samir era a espuma. Eu fiz a solicitação para a gente ver os outros TACs na cidade. E os projetos feitos pelo Samir você vai ver que tem espuma.

Mas essa espuma era a adequada? Não era a mais barata?
Não era (a mais barata). O Samir me disse: “Eu tenho um pouco de espuma que é uma sobra de um projeto”. Eu mandei comprar dele e buscaram. Faltou a espuma. Não foi suficiente. Eu procurei no Google. Gostaria que você fizesse isso. Procura no Google: espuma de isolamento acústico. Apontou em tal lugar. Eu só pedi para ele comprar. Custava R$ 250. Eu tenho as notas.

Você chegou a mexer na altura do palco durante reforma da boate? Chegou a subir ele?Todas as obras do TAC estão no projeto. Todas elas. Rebaixamento de teto. Na verdade, não foi o palco que aumentou. O teto que foi rebaixado. A gente fez uma camada dupla de gesso e lã de rocha. A gente trocou de lado o palco. O palco era do outro lado. A gente tinha problemas com uma vizinha. Fizemos a parede, trocamos o palco. Dentro da casa delafiz um revestimento de gesso. Realmente o som incomodava.

A boate estava completamente regular em termos de PPCI e lotação compatível para o tamanho da casa na oportunidade?
A boate tinha toda a documentação desde 2009. Eu comprei ela no final de 2010 com toda a documentação. O que acontece? As pessoas dizem: “Ah, mas ela nunca esteve regular”. E isso não é só com boate. Se a gente botar uma pizzaria, uma farmácia, vai acontecer a mesma coisa. Numa data sai o alvará sanitário, na outra data sai o alvará de não sei o que. Aí, a outra do bombeiro. Outra data sai o alvará de localização. Para ter o alvará de localização tem que ter todas as documentações. Nós tínhamos alvará de localização. Eu comprei (a boate) e eu renovei (o alvará). Como acontece hoje? Paga uma guia, manda recarregar os extintores ou fazer a aferição deles, entra com pedido de renovação. A Kiss estava com tudo isso. O problema é que tu entra numa fila. Não tinha só a Kiss. Nós éramos o (número) mil duzentos e poucos quando a gente entrou. Quando aconteceu o fato da Kiss, nós éramos ainda o setecentos e alguma coisa (da fila). Então, a boate não era irregular. A boate não era ilegal. A boate era duas quadras da prefeitura, duas quadras dos bombeiros. Não era tão irregular que o Ricardo Lozza, que era o promotor na época do TAC, mandou um ofício a pedido meu para os bombeiros e para a prefeitura. Ambos respondem para ele: “A boate está ok, está em trâmite de renovação”. O que esse promotor faz? Me libera para trabalhar. E foi isso que eu fiz. Eu estava trabalhando.

Sobre os extintores, qual a frequência que vocês revisavam eles? Ficavam nos lugares certos, nas paredes, onde eram sinalizados? Por que um deles não funcionou quando um dos músicos levantou (o fogo de artifício) para disparar para o teto?
A empresa que trabalha neste ramo, que faz as recargas, eles mesmo te ligam: “Olha, tá no prazo”. Eu digo: “Vem, faz o que tem de fazer”. Tinha sido feita recarga quatro meses antes. O final de uma festa é devastador dentro de uma boate. As pessoas mexem numa coisa, mexem na outra, quebram vaso, quebram banheiro. Pode ter acontecido de algum extintor não estar no lugar em algum dia de tarde ou alguma coisa assim. Mas nós tínhamos um cara chamado Xampu, que todo o final de noite limpava tudo e colocava tudo no lugar. Tinha um extintor que tinha um gancho quebrado, que por um tempo ficou do lado da cabine do DJ. Então, existe uma foto com esse ganchinho e o extintor do lado. Mas vamos falar do dia do fato: todos os extintores estavam no lugar. Quem disse que não funcionou (o extintor)?

Tem uma imagem juntada no inquérito policial que aparece uma pessoa tentando usar (o extintor) e não consegue.
Aparece na imagem que ele tenha tirado o pino? E, beleza, se tenha tirado o pino e não funcionou, como eu vou te explicar uma coisa dessas? Eu também quero saber. A gente foi atrás para tentar ver isso. Pediu perícia, mas não tinha, porque pegou fogo. Todos os outros (extintores) funcionaram, por que só aquele não funcionou?

Por que colocar guarda-corpos e corrimãos, já que poderiam prejudicar a saída do público em caso de algum problema maior, como acabou ocorrendo?
Desde que eu comprei a boate existe aquilo. Alguns foram acrescentados para organização da fila. Não é para pagar comanda, para segurar ninguém, como falam. Era para organização para pagar comanda.

O sistema de exaustão de ar estava obstruído?
Não. Estava em pleno funcionamento.

A boate estava mais cheia que a capacidade máxima naquele 27 de janeiro?
A gente limitava em 800 (pessoas). Quando chegava em 800, entrava só quando alguém saía. Na noite lá, o Baby, o porteiro, tinha 74 canhotos no bolso. Quando eu cheguei era 1h40min, mais ou menos, e perguntei quantas pessoas tinham. E ele me disse: estamos entrando no bolo das 600 ou estamos entrando no bolo das 700. Não recordo bem certo. Eu acredito que tivesse, com funcionários, (…) 750, 720 (pessoas).

Os seguranças impediram a saída do público no começo do incêndio?
Não, não tem como. Eu vou te dar uma lógica. As portas não abrem por fora, as portas abrem por dentro. Eu, mesmo, Kiko, ninguém me disse, quando aconteceu, eu fui até o meio da boate e voltei dizendo: “Abre, abre, abre”. Não foi ninguém, foi eu. E fui tirando o pessoal do fumódromo para fora. Quem é que barraria? Quando, como, por quê? Ah, para pagar uma comanda! Claro que não. Com fogo? Todo mundo saiu.

Você atribui a responsabilidade do incêndio ao Marcelo e ao Luciano?
A minha defesa não é baseada em acusar ninguém. Cada um sabe seus atos.

Quem é o responsável?
Para mim, é o Ministério Público (leia contraponto abaixo). Para mim, é o Ricardo Lozza.

Quem mais o senhor acha que deveria estar respondendo a esse processo?
Sabe por que não chamaram os delegados para depor? Porque o órgão que me acusa é o órgão que deveria estar respondendo aqui do meu lado. Os delegados confirmariam isso. Por isso que não chamaram o promotor e os delegados.

Tu diria que o Ministério Público é um dos culpados?
É o principal culpado (leia contraponto abaixo). Se o Ministério Público não me libera para trabalhar, se ele não faz esse TAC, não tinha espuma, não tinha nada. O meu sócio só comprou a metade da boate porque o Ministério Público autorizou o funcionamento.

Qual o papel do Mauro Hoffmann na boate?
O Mauro era dono do Absinto (casa noturna que existia na época, em Santa Maria). Éramos concorrentes, de certa forma. Não tinha vontade nenhuma que o Mauro tratasse com funcionário, tratasse qualquer coisa da boate. O Mauro só poderia tratar com a minha irmã, que era a parte financeira. Eu cuidava da Kiss. O Mauro era um sócio por interesses comerciais, por interesse financeiro. Aí perguntam: “O Mauro tinha poder de ordem?” Não tinha. Sabe por quê? Eu não deixava. Eu não queria que o Mauro tratasse com ninguém. Eu tinha um jeito bem diferente de todos os donos de casas noturnas. As pessoas tinham meu telefone.

Sobre as reformas que você realizava, elas tinham o conhecimento e a anuência do Mauro?A única obra que teve foi o TAC. Teve uma outra que o Mauro nem era sócio. Eu fui obrigado a fazer. Eu não queria fazer. Ou faz ou fecha. Qual a escolha que o Mauro teve? Qual a minha escolha? Ou faz ou fecha.

O que você tem a dizer aos pais das vítimas?
Isso é uma coisa bem delicada, porque até hoje não sei o que falar para mim. Tu imagina pra eles. Nada que a gente fale vai mudar isso. Eu entendo a mágoa deles e esse pensamento, porque realmente eu era o dono da casa. Tanto que venho respondendo até hoje. Quem é que vem e responde? Quem é que está sendo mais castigado, apertado nesse sentido de cobrança? Sou eu. Eu estou disposto a qualquer pergunta que eles queiram fazer para mim. Gostaria muito de ter tido oportunidade para pedir desculpas e tentar explicar para eles. E é o que pretendo fazer no dia do júri. Pretendo explicar o que aconteceu. Mais uma vez explicar, tentar mostrar tudo que eu fiz, tudo que eu não fiz, ou porque eu não fiz e o que aconteceu. Eu espero que eles consigam superar isso. Eu sei que não existe superação, porque eu também não consigo superar também. Esse júri não vai mudar o que aconteceu e nos confortar. O júri não vai nos dar paz. A paz está em Deus. Vivo essa expectativa. Porque vão dias, meses, anos e não muda. Estou cansado disso aí. Preciso respirar. Eu estou ainda no dia 27. Imagina os pais como estão. Eles querem também resolver isso.

O que você espera do julgamento? Tu tens medo de ser sentenciado a uma pena de prisão?Claro que sim. Não tem como não ter medo. Não tem como estar preparado para uma situação dessas. Como eu também não estava preparado para o dia 27.

O que considera justo ao fim do julgamento?
Vamos esclarecer lá. O que o juiz e os jurados acharem que é. Durmo e acordo com isso, assustado, magoado, cansado, às vezes indignado. E não posso falar nada. Vou resolver. Vou lá resolver, seja qual for o resultado. Será que vai mudar alguma coisa pra mim, para os pais, para os familiares? Tenho me apegado a Deus.

Acredita numa página virada após o julgamento?
A paz não está no julgamento. A paz está em nós, está em Deus. É mais uma etapa da vida.

O que diria para um jovem que vai para uma casa noturna? Qual o cuidado que ele deveria ter?
Não só para os jovens, como para os próprios donos de casas noturnas. Já aconteceu de eu conversar com alguns e me dizerem: por causa da Kiss estão pedindo isso, estão pedindo aquilo. Digo: por causa da Kiss tu estás tendo chance de fazer melhor. E vou te dizer mais: não acreditem no que os órgãos públicos te pedem. Não acreditem nessa documentação que para mim não valeu nada. Não acreditem nos órgãos públicos. Eles não sabem. Se der algum problema, eles estão fora e é você que está dentro.

Quem foi o responsável pela morte daquelas pessoas? Foi o Elissandro, o Mauro, o Marcelo ou Luciano? Ou alguma outra pessoa?
O Ministério Público de Santa Maria (leia contraponto abaixo), em especial o Ricardo Lozza.

Documentário

Um documentário chamado Kiko da Boate Kiss foi lançado nesta segunda-feira (8). A produção traz um diálogo do advogado Jader Marques com seu cliente numa viagem de carro de Porto Alegre até Santa Maria. No caminho, Elissandro Sphor fala da sua infância, adolescência, da família, da música, do seu ingresso na boate Kiss e como tem sido sua vida desde o dia 27 de janeiro de 2013. O vídeo está disponível na página da Escola de Criminalistas, no YouTube.

Contrapontos

O promotor Ricardo Lozza disse que não irá se manifestar pessoalmente, apenas por meio do Ministério Público, que enviou nota

“As afirmações do réu, denunciado como um dos responsáveis pela tragédia ocorrida na boate Kiss, em Santa Maria, no que se refere à atuação do Ministério Público, fazem parte de uma estratégia de defesa que se utiliza de falácias para construir uma narrativa distorcida dos fatos. Portanto, por se tratar de argumentos de uma tese de defesa, já revelada em outras ocasiões, serão respondidas no local adequado para isso, ou seja, em plenário, durante o julgamento. Importante, entretanto, sublinhar, em respeito à verdade, que ao longo destes anos, desde o dia da tragédia, a atuação do MPRS, em todos os processos e expedientes relativos ao caso, foi validada pelos órgãos de controle interno e externo do Ministério Público e por diferentes decisões do Poder Judiciário, em todas as instâncias.”

O que diz o engenheiro Samir Samara

“Isso é uma inverdade. Não tem nada no processo. Não fui engenheiro da obra. Fiz só o gesso. Essa espuma o Kiko comprou por conta e risco de uma empresa que vende colchão em Santa Maria. Se ele tivesse comprado a espuma certa, que não propaga chama nem solta toxina, não teria causado problema. Essa declaração é uma inverdade. Não tem nada nos autos que prove isso. Ele (Kiko) tem de atirar para tudo quanto é lado. Não tem nada que prove isso. Não fiz o projeto. Quem fez foi o engenheiro Pedroso. Se olhar nos autos, quem fez o projeto foi o Pedroso. Quem indica algo é o engenheiro projetista. E se olhar o projeto não tem nada que indique isso. Quando visitou a obra, o Pedroso mandou arrancar as espumas que estavam lá. Pedroso mandou arrancar e disse que aquelas espumas não serviam para nada. Ele (Kiko) arrancou as espumas, executou a obra, o MP fez a fiscalização e depois disso ele (Kiko) comprou essas espumas de uma empresa que vende colchão por conta e risco e instalou por conta própria. Inclusive, o Pedroso vai depor no júri e vai falar tudo isso. Eu apenas fui responsável pelo gesso.”

Fonte: GZH – EDUARDO MATOS

 

 

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