Advogado relata abordagem ‘truculenta’ da polícia durante visita a cliente em presídio de Porto Alegre; BM apura caso

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Um advogado de Porto Alegre registrou ocorrência contra agentes da Brigada Militar (BM) por abuso de autoridade. Ismael Santos Schmitt, de 39 anos, diz ter sido abordado de maneira violenta, na quinta-feira (3), quando aguardava para ingressar na Cadeia Pública da Capital, onde atenderia um cliente apenado.

“A abordagem foi um show de horrores. Totalmente truculenta, violenta”, disse.

G1 procurou a Brigada Militar, responsável pela segurança da unidade. O diretor da Cadeia Pública, tenente-coronel Carlos Magno da Silva Vieira, afirma que uma sindicância vai apurar o ocorrido. Imagens de câmeras de segurança serão analisadas para verificar o que houve.

“É um fato que não é comum. Graças a Deus, nunca tinha acontecido e, infelizmente, aconteceu na data de ontem [3 de junho]. Nós vamos apurar da maneira mais célere possível para elucidar exatamente. Porque existem duas versões. De posse das imagens, a gente vai conseguir, com certeza, elucidar. A gente vai adotar as medidas cabíveis, todas necessárias”, explicou.

O caso foi levado para o plantão da 2ª Delegacia de Pronto Atendimento da Polícia Civil, em Porto Alegre. A delegada responsável pelo registro, Fernanda Generali, afirma que a investigação ficará a cargo da 11ª Delegacia de Polícia da Capital.

“Não foi feito flagrante, somente o registro da ocorrência e ouvidas as partes envolvidas”, relatou.

Na ação, Schmitt conta que sua carteira de identificação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi quebrada pelos policiais.

A presidente da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas dos Advogados da OAB-RS, Karina Contiero, afirma que o documento vale como identificação pessoal. “Em todo o território nacional, a credencial é nossa identidade civil”, comentou.

O presidente da OAB-RS, Ricardo Breier, recebeu Schmitt na tarde de sexta e manifestou o apoio da entidade ao advogado. “Aqueles que praticam autoritarismo contra a advocacia jamais ficarão impunes”, afirmou.

Ocorrência

 

Ismael Schmitt afirma que se dirigiu à Cadeia Pública, antigo Presídio Central, no início da manhã de quinta, para atender um cliente que cumpre pena na unidade. Após se identificar na portaria, o advogado conta que foi encaminhado por um policial para o setor procurado, podendo se dirigir ao local por uma área interna ou pela parte externa do presídio.

Em razão do frio, por volta das 7h, Schmitt diz que ingressou em seu veículo para aguardar a abertura dos portões. Já dentro do carro, o advogado conta que uma policial bateu na janela com força e questionou sobre a presença dele no que seria um estacionamento destinado a militares.

O homem afirma que apresentou sua carteira da OAB, mas a policial solicitou uma identidade civil. Um outro soldado teria se dirigido para dentro do carro e cobrado a identificação do advogado. Um terceiro policial acompanhava a abordagem, segundo Schmitt.

“Botou o rosto para dentro do carro e começou a gritar comigo, de uma forma ríspida e violenta, dizendo que eu não era militar e que deveria estar com minha identidade civil. Eu disse: ‘moço, este é o único documento que eu tenho’, até de forma irônica eu respondi. Eu nunca tive problema de usar minha credencial de advogado”, contou Schmitt.

Nesse momento, o advogado diz que foi ordenado a sair do veículo, quando foi algemado pelo policial, e que teve sua carteira da OAB quebrada ao meio.

“Começa um drama, porque eu sou obeso. Eu fui algemado para trás e fiquei por quase três horas em pé aguardando que o oficial do dia determinasse o que fazer comigo”, disse.

Após a chegada do oficial, Schmitt foi preso em flagrante por desacato e encaminhado à Polícia Civil. Na delegacia, foi determinada a retirada das algemas, conta o advogado. Após dar sua versão do acontecido, o homem foi liberado.

“Tenho uma filha que acabou de completar três anos de idade e é muito complexo para mim ainda explicar para ela porque o pai dela foi preso em pleno exercício da atividade profissional”, lamentou.

 O representante da OAB, Karina Contiero, acompanhou Schmitt durante o registro do boletim e ocorrência. “A decretação de prisão e o uso de algemas foram absolutamente inadequados e desnecessários, culminada a quebra da credencial, revelam fortes indícios de de excessos, inclusive abuso de autoridade”, apontou.

Ismael Schmitt sustenta que seu objetivo ao denunciar o caso é fazer com que situações como essa não se repitam com outras pessoas.

Fonte:G1/RS

 

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