Políticos ligados ao presidente Lula (PT) manifestaram posições divergentes acerca da ação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner (PT).
O político foi alvo de mais uma fase da Operação Compliance Zero, em decorrência de investigações identificarem relações do senador com o empresário Daniel Vorcaro e operadores do banco Master.
Enquanto integrantes do próprio partido e ministros saíram em defesa do parlamentar baiano, evocando o princípio constitucional da presunção de inocência, representantes de partidos da esquerda aliada, como o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), cobraram o afastamento imediato do senador do posto de liderança da gestão federal.
No time de defesa a Jaques Wagner
Entre os defensores do senador, o ex-ministro José Dirceu, liderança história no Partido dos Trabalhadores, afirmou que o parlamentar foi firme ao se explicar à imprensa e reforçou que o congressista não é réu, apenas um investigado, concluindo que “Jaques tem a nossa confiança, a confiança do presidente Lula e do PT, e vai superar essa”.
No mesmo sentido, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, ex-governador do Piauí, defendeu o respeito ao devido processo legal e declarou ter “convicção de que Jaques Wagner prestará todos os esclarecimentos necessários e demonstrará, ao longo das apurações, a correção de sua conduta diante dos fatos investigados”.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, endossou o apoio ao correligionário ao publicar que “a verdade há de vencer” e que os verdadeiros companheiros não soltarão a mão do senador.
O senador Fabiano Contarato, do PT, também manifestou solidariedade ao relatar que a proximidade diária permitiu conhecer a honestidade do colega, manifestando “absoluta confiança na sua retidão moral”.
Já o PSOL pede afastamento imediato da liderança
Por outro lado, as cobranças por punição e afastamento ganharam força entre deputados federais da esquerda.
A deputada federal Sâmia Bomfim, do PSOL, defendeu a atuação da PF (Polícia Federal) no caso que envolve o parlamentar e outras figuras políticas e exigiu “que Jaques Wagner saia da liderança do governo no Senado”, classificando o episódio envolvendo a instituição financeira como um escândalo de grandes proporções.
O deputado federal Chico Alencar, também do PSOL, acompanhou a exigência ao publicar que “Jaques Wagner deveria deixar imediatamente a liderança do governo Lula no Senado e explicar essas relações espúrias”.
Já o deputado federal Glauber Braga, do mesmo partido, teceu duras críticas às justificativas apresentadas pelo senador sobre os valores retidos em sua residência, enfatizando que “a explicação sobre o dinheiro encontrado em seu imóvel é inconcebível em qualquer hipótese” e que aceitar as diárias em dólar como justificativa seria “conceber a institucionalização do absurdo”.
O debate também se estendeu à comparação sobre a autonomia das instituições de Estado na atual gestão em relação ao governo anterior de Jair Bolsonaro.
Autonomia da Polícia Federal
O deputado federal Lindbergh Farias, do PT, rebateu críticas da oposição e argumentou que a ação demonstra a existência de uma polícia de Estado, pontuando que “no governo do presidente Lula, a PF tem autonomia para investigar qualquer pessoa”.
O parlamentar complementou que não há blindagem e aproveitou a manifestação para questionar o senador Flávio Bolsonaro, do PL (Partido Liberal), sobre repasses financeiros atribuídos ao mesmo empresário envolvido nas apurações criminais.
Silêncio de correligionários
A reportagem identificou também o silêncio em perfis populares no entorno de Lula. Gleisi Hoffman (PT), Maria do Rosário (PT), Benedita da Silva (PT), Humberto Costa (PT), Paulo Pimenta (PT) entre outros políticos que vinham aproveitando os reflexos da relação de Vorcaro com integrantes da direita e do Centrão, optaram por silenciar sobre a operação contra o corregilionário petista.
Fonte ND Mais





















