Alunos com Covid frequentam aulas em escola estadual da Zona Oeste de SP após médico de UBS dar atestado de apenas 4 dias

Alunos recebem atestado de quatro dias para Covid-19 e voltam às aulas com sintomas — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
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Pelo menos dois alunos de uma escola estadual da Zona Oeste da capital paulista frequentaram aulas com teste positivo para Covid-19 e sintomas na última semana porque o médico os afastou por apenas quatro dias e a escola não aceitou a justificativa da ausência, de acordo com a mãe de um deles.

Os estudantes frequentam o primeiro ano do ensino médio na Escola Estadual Sólon Borges Reis, no Rio Pequeno. Ambos foram atendidos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim D’Abril, também na Zona Oeste.

Uma mãe contou ao g1 que o filho de 15 anos teve de voltar à escola após quatro dias porque tinha prova, e a escola não aceitou a justificativa da doença porque o atestado médico só dava quatro dias de afastamento.

“Ele teve sintomas há 12 dias e foi ao posto, fez o teste, e a médica só passou quatro dias para ele ficar em casa. Ele voltou para a escola em uma terça, e o professor ficou indignado de um aluno com Covid estar na sala”, conta.

Apesar da indignação do professor, a escola não aceitou o afastamento dos alunos com Covid-19 ao fim do período de atestado, mesmo que eles ainda estivessem com sintomas, de acordo com o professor e a mãe ouvidos pelo g1.

“Na escola, eles falaram que não podiam fazer nada se o médico deu só quatro dias. Aí eu falei que não ia mandar ele para a escola porque não era justo ele transmitir para os colegas. Eu disse que sabia que ele ficaria com falta, mas que estava justificando a ausência dele. Aí me disseram que sem atestado não tem justificativa”, afirmou a mãe.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informou que, para casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, o protocolo atual define o afastamento de sete dias a partir do início dos sintomas. Desta forma, caso os sintomas tenham começado há três dias, o atestado médico será de quatro dias a contar a partir da data da avaliação médica.

A pasta também informou que, após sete dias, o isolamento poderá ser interrompido desde que o indivíduo esteja há 24 horas sem febre, sem uso de medicamentos antitérmicos e com remissão dos sintomas respiratórios. Se o indivíduo permanecer sintomático até o sétimo dia de início de sintomas, o isolamento deve ser mantido até o 10º dia.

Este protocolo foi iniciado pela Prefeitura de São Paulo em janeiro sob recomendação do Ministério da Saúde. A pasta reduziu o período de isolamento para pessoas recém-recuperadas de Covid, que na ocasião deixou de ser 14 dias e passou a ser de 5, 7 ou 10 dias, a depender dos sintomas.

A contagem deve ser feita a partir do início dos sintomas. No quinto dia, se não houver mais sintomas respiratórios nem febre e o teste para Covid der negativo, a pessoa está liberada. Caso o exame dê positivo, o paciente deve ficar isolado por mais dois dias e, então, se estiver assintomático, está liberado da quarentena e não precisa fazer o teste. Porém, se ainda houver sintomas, é preciso ficar mais três dias isolado, totalizando os dez dias indicados pelo ministério.

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Escola sem máscara e álcool em gel

Apesar da mudança no protocolo de afastamento, ainda seguem obrigatórios os protocolos de higiene, como higienização constante das mãos, higienização e ventilação dos ambientes, uso obrigatório da máscara no transporte escolar e recomendado nos ambientes fechados da escola.

No entanto, não é o que tem acontecido na escola Sólon Borges, de acordo com um professor que prefere não se identificar.

“Não são dadas as condições para que esses protocolos sejam cumpridos. Não tem álcool gel na escola. Temos evidências do contrário do que está sendo dito. Ninguém usa mais máscara porque agora não é mais obrigatório e tampouco há protocolos de higienização. É uma esculhambação, a escola está jogada às traças. Já está difícil a parte curricular e disciplinar e agora ainda tem esse problema para agravar. Usam a gente como se fôssemos um experimento”, afirma.

“Eu acho muito absurdo estar dentro de uma sala de aula com dois alunos com Covid após apenas quatro dias de afastamento.”

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo disse que “não procedem as alegações”. De acordo com a pasta, as escolas da rede estadual seguem protocolos sanitários de “forma assídua”.

Segundo a pasta, as orientações em casos de estudante ou professor com suspeita de Covid-19 (com dois ou mais sintomas) ou com teste confirmado para a doença devem permanecer em isolamento por sete dias ou o período definido por prescrição médica.

O retorno às atividades presenciais de casos suspeitos e confirmados pode ocorrer a partir de sete dias de afastamento, sem a necessidade de realização de teste, estando o indivíduo ao 7º dia sem sintomas respiratórios, sem febre e/ou sem o uso de medicamentos antitérmicos há pelo menos 24 horas, de acordo com a Seduc-SP. Se os sintomas persistirem, deve-se permanecer em isolamento até o 10º dia.

 

Protocolo sanitário da Secretaria de Educação determina que aluno fique até dez dias afastado caso apresente sintomas de Covid-19 — Foto: Reprodução
Protocolo sanitário da Secretaria de Educação determina que aluno fique até dez dias afastado caso apresente sintomas de Covid-19 — Foto: Reprodução

Retorno sem teste negativo

Uma segunda mãe de aluno da escola Sólon Borges que falou ao g1 afirmou que a UBS Jardim D’Abril não refaz o teste de Covid para os pacientes. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) disse por telefone que apenas profissionais da saúde são testados antes de voltar às suas atividades.

“Na UBS não fazem o teste pra ver se negativou dias depois. O meu filho pegou Covid na quinta-feira (2) e descobriu que outras duas colegas também estavam com a doença. Ele foi ao posto, fez o teste, que deu positivo, e o médico só deu quatro dias de atestado. Na segunda (6), ele foi na escola porque ele tinha prova, mas estava com tosse, muita dor de cabeça, náusea”, afirmou.

De acordo com a mãe, o filho de 16 anos teve de voltar à escola após quatro dias porque tinha prova. Ele começou a sentir os sintomas no domingo (29), mas como tem rinite, a família não pensou de início que seria Covid-19.

“Ele teve sintomas há 12 dias e foi ao posto, fez o teste, e a médica só passou quatro dias para ele ficar em casa. Levei meu filho em outro médico, e ele ficou mais 5 dias de licença, mas ele foi antes para a escola porque tinha prova”, afirma.

O que diz a Secretaria Municipal da Saúde

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informa que, para casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, o protocolo atual define o afastamento de sete dias a partir do início dos sintomas. Desta forma, caso os sintomas tenham começado há três dias, o atestado médico será de quatro dias a contar a partir da data da avaliação médica.

Para os casos citados, a SMS aguarda o nome dos pacientes para acessar o prontuário médico e verificar o atendimento prestado.

Após os sete dias, o isolamento poderá ser interrompido desde que o indivíduo esteja há 24h sem febre, sem uso de medicamentos antitérmicos e com remissão dos sintomas respiratórios. Se o indivíduo permanecer sintomático até o sétimo dia de início de sintomas, o isolamento deve ser mantido até o 10º dia.

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