A defesa da empresária investigada na operação da Polícia Federal realizada em Passo Fundo divulgou nota nesta sexta-feira (3) após a morte do delegado Michel Brasil Saliba, 39 anos, baleado durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
No comunicado, os advogados manifestam pesar pela morte do delegado e prestam solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho.
Segundo a defesa, a empresária, investigada por participação em um sistema financeiro paralelo utilizado para sustentar um esquema de contrabando de mercadorias provenientes de Miami, nos Estados Unidos, “jamais imaginou” que a diligência realizada em sua residência estava sendo executada por policiais federais no âmbito de uma investigação relacionada a um suposto esquema de contrabando internacional.
Os advogados afirmam ainda que a mulher vinha sofrendo ameaças em razão de questões relacionadas à atividade empresarial. Conforme a nota, a situação teria sido comunicada previamente ao companheiro dela, o policial militar Daniel Machado Figueiró.
De acordo com a defesa, diante da dinâmica dos fatos e acreditando estar diante de uma situação de risco iminente, o policial reagiu durante a ação.
A nota também informa que os advogados ainda não tiveram acesso aos autos da investigação que embasou o mandado de busca e apreensão. Por esse motivo, a defesa afirma que irá se manifestar de forma mais ampla após analisar o conteúdo completo do procedimento.
Por fim, a empresária sustenta que suas atividades empresariais são conduzidas dentro da legalidade e reafirma que irá colaborar com as autoridades durante a apuração do caso. Abaixo, confira a nota:
“A defesa da empresária manifesta profundo pesar pelo falecimento do Delegado da Polícia Federal e solidariza-se com seus familiares, amigos e colegas de instituição neste momento de dor.
Esclarece que a empresária jamais imaginou que a diligência em sua residência estivesse sendo executada por policiais federais no âmbito de operação relacionada à apuração de suposto contrabando internacional. Conforme já relatado, ela vinha sofrendo ameaças em razão de questões ligadas à sua atividade empresarial, circunstância previamente comunicada ao seu companheiro, policial militar, o qual, diante da dinâmica dos fatos e na crença de estar diante de situação de risco iminente, reagiu de forma enérgica.
A defesa técnica informa que, até o presente momento, não teve acesso aos autos do procedimento investigativo que originou o mandado de busca e apreensão, tampouco aos elementos de convicção que fundamentaram a medida. Por essa razão, reserva-se o direito de se manifestar de forma completa e tecnicamente fundamentada tão logo lhe seja franqueado o acesso integral à investigação, em respeito ao contraditório e à ampla defesa.
A empresária reafirma, por fim, que todos os seus negócios e atividades empresariais são pautados pela estrita observância à legalidade, e reitera seu compromisso de colaborar integralmente com a Justiça, permanecendo à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários à completa apuração dos fatos. Renova, ainda, sua solidariedade diante da irreparável perda do Delegado da Polícia Federal.”
A nota é assinada pelos advogados Maurício Batista da Silva, Tábata Luiza Haag Bitencourt Pasquali, Pedro Henrique Bitencourt Pasquali e Arthur Feltrin Milani.
Delegado morreu após ser baleado durante operação
Michel Brasil Saliba morreu por volta das 2h30min desta sexta-feira (3), no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo.
O delegado estava internado em estado grave desde a manhã de quinta-feira (2), quando foi atingido por disparos de arma de fogo durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um apartamento na Rua José Bonifácio, no bairro Vila Rodrigues.
Outro agente da Polícia Federal também ficou ferido, recebeu atendimento médico e teve alta hospitalar.
Conforme a investigação, os disparos teriam sido efetuados pelo policial militar Daniel Machado Figueiró, companheiro da empresária alvo da medida judicial. Ele foi preso em flagrante.
Operação apura esquema de contrabando
A ação da Polícia Federal tinha como objetivo desarticular um sistema financeiro paralelo que, segundo as investigações, seria utilizado para sustentar um esquema de contrabando de mercadorias trazidas de Miami, nos Estados Unidos.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além de 56 ordens de sequestro de imóveis e medidas de bloqueio de contas bancárias de 38 pessoas físicas e jurídicas.
De acordo com a Polícia Federal, os bloqueios podem alcançar R$ 28 milhões.
Fonte: GZH/Zero Hora





















