Argentina vive nova crise, e lojas não sabem nem quanto cobrar

Juan Mabromata / AFP
ABC_OK-300x266
viatec-300x266
Benhur_BannerSite-300x266
WhatsApp Image 2022-07-15 at 09.14.17
lojaswagner_ok-300x266
Roque_2021-300x266
sicredi_ok-300x266
Site_392x442
PartiuSicoob_BannerSite_300x266px
WhatsAppImage2022-01-27at090302
BANNERSANTAINESNOVO
mart
BANER SITE OBSERVADOR 67
1
2

Lojas de comércio popular do bairro Once, em Buenos Aires, demoraram para abrir na última terça-feira (5), e, quando receberam os consumidores, tinham em suas vitrines cartazes que avisavam que todos os produtos estavam 20% mais caros do que o registrado nas etiquetas. O atraso para abrir, assim como os cartazes, decorriam do fato de os empresários não saberem mais quanto cobrar dos clientes.

 

— Ninguém sabia se o dólar ia aumentar ou se ia faltar mercadoria. Na segunda (4), muitos comércios nem funcionaram porque não tinham mais um preço de referência para as vendas — disse o porta-voz da Confederação Argentina da Média Empresa (Came), Salvador Femenía.

 

A incerteza já era alta nos últimos meses, mas aumentou após a renúncia, no último dia 2, um sábado, de Martín Guzmán, ministro da Economia desde o início do governo Alberto Fernández. Em março, Guzmán havia fechado um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para pagar uma dívida de US$ 44 bilhões entre 2026 e 2034. Como contrapartida, o órgão pediu ao país que reduzisse o déficit fiscal de 3% do PIB, neste ano, para 0,9% em 2024. A vice-presidente, Cristina Kirchner, porém, se posicionou contra esse acordo, gerando uma crise no governo. Ela venceu a disputa.

 

Fernández anunciou que Silvina Batakis (próxima de Cristina e tida como mais heterodoxa) substituiria Guzmán só na segunda-feira.

 

— Ficamos um dia e meio sem ministro. Parecia que ninguém queria (o cargo). Isso gerou uma desconfiança gigante — afirmou o economista-chefe da consultoria argentina EconViews, Andres Borenstein.

 

A incerteza vem crescendo desde o início do ano, conforme aparecem sinais de que o governo não vai cumprir o acordo com o FMI, considerado um programa de ajuste relativamente leve para os padrões do órgão. Como resultado, a cotação do dólar no mercado paralelo (257 pesos) já supera o dobro da que é vista do mercado oficial (126 pesos).

 

Reservas
Para piorar, as reservas internacionais estão em um patamar muito baixo. Apesar de anunciar que elas chegam a US$ 42,3 bilhões, o governo não dispõe de todo esse volume. Estimativas do mercado apontam que apenas US$ 3,5 bilhões são reservas líquidas. Isso porque os argentinos podem abrir contas bancárias em dólares no país. Nesse caso, seus recursos não são emprestados e ficam depositados no Banco Central, como um compulsório. Como se isso não bastasse, o país precisa de dólares para importar energia, principalmente agora no inverno, quando o consumo cresce devido ao uso de aquecedores. Mas o preço também aumentou com a guerra na Ucrânia.

 

Assim, para controlar a saída de dólares, o governo tem ampliado as restrições de acesso ao mercado cambial. Na semana passada, proibiu o parcelamento de compras em free shops — recurso que já não era permitido para passagens internacionais. Na semana anterior, havia determinado que as empresas só terão divisas para importar um volume 5% superior ao de 2021.

 

Segundo Femenía, da Came, a dificuldade de acesso ao câmbio já resulta na escassez de insumos importados, como matéria-prima para papel e borracha para pneu. Há uma preocupação de que falte itens como café e eletrônicos.

 

Escolha difícil
Dono da rede Café Martínez, Marcelo Martínez conta que tem café para as 200 unidades da empresa até setembro. Mas deixou de vender em supermercados.

 

— Temos problemas de estoque e precisamos escolher onde vender — lamentou.

 

Foi essa possibilidade de que as mercadorias sumam das prateleiras e de que o dólar dispare mais no mercado paralelo que levou lojistas a atrasarem a abertura de seus comércios na terça.

 

— Ninguém sabe por quanto vender porque ninguém sabe quando e por quanto vai conseguir repor a mercadoria — aponta o economista Dante Sica, que foi ministro da Produção no governo Macri.

 

Para Sica, o país deve viver uma estagflação até o fim de 2023, quando haverá eleições.

 

Para a economista Paula Malinauskas, da consultoria LCG, como a origem da crise da última semana está na política, uma solução imediata parece difícil:

 

— Uma parte do governo se coloca como oposição. Cristina queria mostrar que ela e uma parte do partido não estavam de acordo com as decisões de Alberto.

 

Borenstein comenta que não há o que fazer para salvar a economia no curto prazo:

 

— A situação de debilidade política faz com que até as boas ideias não avancem. Desvalorizar a moeda e subir a taxa de juros quando houve o acordo com o FMI era uma coisa. Fazer isso agora provavelmente não funcionará porque não há mais credibilidade.

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Receba as notícias do Site OBSERVADOR REGIONAL no seu celular: CLIQUE AQUI e faça parte do nosso grupo de WhatsApp

Fonte: GZH

Compartilhe:

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on telegram
ABC_OK-300x266
viatec-300x266
Benhur_BannerSite-300x266
WhatsApp Image 2022-07-15 at 09.14.17
lojaswagner_ok-300x266
Roque_2021-300x266
sicredi_ok-300x266
Site_392x442
PartiuSicoob_BannerSite_300x266px
WhatsAppImage2022-01-27at090302
BANNERSANTAINESNOVO
mart
BANER SITE OBSERVADOR 67
1
2

MAIS LIDAS

Sorry. No data so far.

SELLNET-300x158
zanella
farmsantinesnova
Roque_2021-300x266-1-seo