Artistas de circos falam das dificuldades na pandemia

Dia do Circo é comemorado neste sábado (27); circenses contam como adaptaram rotinas com os picadeiros fechados

“Foi a infância mais pura. O quintal da minha casa era a minha diversão. Eu nasci no circo e meus pais sempre estavam comigo porque ali era o trabalho deles. Eu sou a sétima geração de circense na minha família. É uma coisa única”.

A fala sobre o amor pelo circo é da diretora de marketing e mágica do Circo Stankowich vermelho, Kamila Stankowich, de 38 anos. A família dela já tem mais de 170 anos no ramo artístico e, desde o começo da pandemia, ela afirma que nunca passou por tanto tempo sem trabalhar.

Como os circos não estão podendo erguer suas lonas e trazer a diversão ao púbico, devido às regras de distanciamento social, Kamilla e sua equipe estão em Itupeva (SP) parados desde março de 2020. Ano passado realizaram espetáculos drive-in e lives. Contudo, para ela, a emoção não foi a mesma.

“Pisar no picadeiro novamente foi uma felicidade gigante só que não conseguimos, não teve a mesma emoção”, conta a mágica ao G1.

No Dia do Circo, celebrado neste sábado (27), a comemoração também não será a mesma. Kamila relembra da época em que era mais nova e a data era o maior movimento do ano. “Era como o ‘aniversário da nossa empresa’. A alegria do público era nossa alegria, nossa recompensa”, relembra.

O dono do circo é seu pai, Márcio Stankowich, de 60 anos. Ele administra com o irmão o “Circo Stankowich”, considerado o mais antigo em atividade no Brasil. Trapezista por mais de 20 anos, domador de animais e circense desde que nasceu, Márcio conta como foi duro ver o circo baixando a lona.

“Quando se entra no picadeiro você se esquece de tudo. Quando você abaixa a lona, imediatamente levanta ela em outro lugar. Desta vez, não. Quando a gente vai voltar? Eu não sei”.

Família do Circo Stankowich em um dos espetáculos na década de 20 — Foto: Arquivo pessoal

Alternativas na pandemia

Maçãs do amor que o Circo Globo Ma está vendendo em Sorocaba e região — Foto: Arquivo Pessoal

Com os espetáculos parados, alguns artistas tiveram que se reinventar. Muitos arrumaram trabalhos fora da área para ajudar nas despesas e alguns começaram a vender o que podiam, como maçã do amor, pipoca e biscoito.

“Alguns foram embora para suas cidades, mas o que estão aqui, vendem e trabalham no que podem. Todo trabalho que leva o sustento pra dentro de casa é essencial”, diz Kamila.

Outra família circense, do Circo Globo Max e que está em Sorocaba (SP), é mais um exemplo de que começou a vender maçãs do amor, pipocas e bolas desde o começo da pandemia, sendo uma estratégia para driblar a pandemia.

Ao G1, uma das donas do circo, Rizia Signorelli, conta que as produções foram feitas nos próprios trailers e as vendas foram em vários pontos espalhados pela cidade. “É uma forma de arrumar dinheiro e fazer o que gostamos”.

Circo Stankowich — Foto: Circo Stankowich/Divulgação

Além das vendas, moradores se sensibilizaram e ajudaram as famílias circenses neste período. Doações de cestas básicas, fraldas e produtos de limpeza foram entregues aos artistas. Márcio comenta sobre essas doações. “É emocionante ver gente aqui trazer cesta básica”.

Ainda de acordo com Kamila, a incerteza de quando poderão retornar com os espetáculos deixam todos os artistas temerosos. Porém, a equipe espera pelo retorno o quanto antes.

“Tenho muito medo do futuro do circo, ainda mais depois dessa pandemia. Que todos nós possamos ter um ‘Dia do Circo’ mais feliz nos próximos anos”, afirma Kamila.

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g1

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