A reconstituição da morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, em São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, acontece nesta segunda-feira (21), a partir das 14h. Não há um tempo de duração determinado, segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP), podendo se estender durante a noite.
Gabriel foi morto após abordagem da Brigada Militar (BM) em agosto desse ano. Segundo as investigações, três policiais militares teriam agredido o jovem e levado ele a uma localidade conhecida como Lava Pés, no interior do município. Vídeos da abordagem são as últimas imagens do jovem com vida. Ele ficou cerca de sete dias desaparecido. O corpo foi encontrado próximo à localidade em 19 de agosto.
A reconstituição do crime estava inicialmente marcada para 8 de novembro porém a Justiça decidiu suspender a ação, considerando que haveria prejuízo ao contraditório e à ampla defesa dos réus, uma vez que uma das partes foi intimada menos de 10 dias da data prevista.
A reconstituição
Segundo o IGP, o trabalho desta segunda-feira será realizado por duas peritas criminais e um fotógrafo criminalístico do Departamento de Criminalística do instituto, com o auxílio da Polícia Civil.
Os trabalhos começam às 14h, na delegacia de polícia de São Gabriel. No local serão ouvidos, um por vez, as testemunhas e os policiais militares. Após, a equipe e a pessoa envolvida se dirige ao local (ou aos locais) citado durante a investigação, onde deve demonstrar como se deram os fatos previamente narrados. A duração da perícia, portanto, depende do que for apontado pelos participantes. Todos os passos descritos são registrados pelo fotógrafo criminalístico para compor o laudo pericial.
Antes da reconstituição foram feitas análises das perícias, como necropsia e os exames laboratoriais realizados em viaturas.
Relembre o caso
Gabriel Marques Cavalheiro era um jovem de 18 anos que se mudou de Guaíba, onde morava com os pais, para São Gabriel, onde iria prestar o serviço militar obrigatório. O jovem estava hospedado na casa de um tio, mas a irmã também mora na cidade.
A Brigada Militar (BM) negou, inicialmente, que tivesse levado Gabriel de viatura até algum lugar. Depois, a corporação corrigiu a informação e disse que os policiais levaram o jovem para uma região no interior do município conhecida como Lava Pés, distante cerca de 6 km de onde houve a abordagem. O sistema de GPS do veículo indicava que foi feito o trajeto até o local.
As buscas foram feitas a pé, com o uso de cães farejadores e com um helicóptero ao longo de oito dias. O corpo foi localizado no dia 19 de agosto, submerso em um açude na localidade.
Prisões
No mesmo dia em que o corpo foi achado, os três policiais foram presos preventivamente. A Justiça Militar entendeu que os agentes promoveram “abandono de pessoa que está sob seu cuidado, guarda ou vigilância e falsidade ideológica” e alteração de documento público.
Os três policiais prestaram depoimentos em três ocasiões, sendo duas vezes para a BM e uma para a Polícia Civil. Em todas, eles negaram envolvimento no assassinato de Gabriel.
Investigação
Um laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) constatou que a causa da morte de Gabriel foi “hemorragia interna”. O documento divulgado em 29 de agosto apontou que o jovem apresentava “sinais de ação por instrumento contundente”. No entanto, o sangue encontrado na viatura policial não era do rapaz.
No mesmo dia, os policiais foram indiciados no inquérito militar por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Em 1º de setembro, a Polícia Civil indiciou os suspeitos por homicídio doloso triplamente qualificado.
Já no dia 5 de setembro, o Ministério Público denunciou os policiais por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A investigação considerou que os acusados agiram por meio cruel, motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
A Justiça aceitou a denúncia, e os policiais viraram réus no dia 6 de setembro.
Mensagens
Mensagens de texto trocadas pelos três policiais foram obtidas pela RBS TV. Nas conversas, os agentes chegam a brincar com o desaparecimento e mostram preocupação com as buscas ao corpo. “Tem que aparecer, de preferência, vivo”, disse um dos acusados (leia a íntegra das mensagens).
Os pais de Gabriel reagiram à revelação de mensagens trocadas por três policiais presos. “Estarrecidos”, disse a advogada da família.
FONTE: G1






















