Coluna – A Começar por mim

Inicío minha participação na coluna dominical do jornal Observador Regional, com o tema A COMEÇAR POR MIM, apresentando  textos inéditos que contribuam com a tomada de atitudes resilientes.

A palavra resiliência está associada à capacidade que cada pessoa tenha de lidar com seus próprios problemas. De sobreviver e superar momentos difíceis, diante de situações adversas e não ceder a pressões, independentemente da situação.

Em quê consistem os momentos difíceis?  Basta visitar as redes sociais para vermos, mesmo em tempo de pandemia, postagens glamourosas de gente feliz. E isso, de ponta a ponta.

Por empatia, começo pelas beiradas evidenciando a liberdade de admitir e talvez verbalizar situações pessoais, como: “não estou bem”. Preciso, portanto, rever meus conceitos ou simplesmente admitir que preciso apreender novas dinâmicas ou agregar outras pessoas à minha vida. E, considerar-me “normal” com tais atitudes humanas, porque está tudo bem em não “ser” , nem “exigir” perfeição.

Reporto-me ao poema “E agora, José”  de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1942, na coletânea “Poesias”. O mesmo ilustra o sentimento de solidão e abandono do indivíduo. A sua falta de esperança e a sensação de que tudo está perdido na vida. Sem saber que caminho tomar…

Em 1974, Paulo Diniz, colocou música no poema e fez muito  sucesso, cantando, especialmente, esse questionamento existencial.

Reelembre agora.  Ou conheça,  o referido poema:

 

José

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

 

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

 

E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio — e agora?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José!

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?

Sem querer interpretar as riquezas do poema, mas tomando-o aqui, apenas como pretexto para iniciar uma reflexão, precisamos considerar que, inevitavelmente, o “mau dia” na vida particular ou pública chega para todos. E, nem sempre, como consequência de nossos atos. Muitas vêzes, numa “colisão” infeliz com o caos,  que, quase sempre se manifesta na “solidão das ausências”, no “eco do silêncio ensurdecedor” e na “velhice prematura” que arrastam correntes do que poderia ter sido.

E agora, Leitor?

Faça o luto da esquizofrenia social que esquece suas boas ações e evidencia, apenas, sua derrocada como sentença divina.

Recolha-se. Limpe os escombros. Cuide de sí.  Reinvente-se e recomece. Você não vai começar do zero. Agora, você tem a experiência e sabe sobre a traição,  o abandono,  a escassez e a injustiça. Experiências que lhe dão o “poder da escolha”.

Nada disso  é novo. A história já mostrou que homens e mulheres que, pela sua tenacidade,  não se conformaram com a banalidade do mal,  e se levantaram, quantas vezes foi preciso,  mostraram que o bem sempre vence.

O bom disso, é que tudo  começa em mim. Prossegue comigo e os resultados são meus.

A COMEÇAR POR MIM é o único ato individual que exponencializa a vida plena e abundante.  Orquestra infinitas possibilidades de paz, unidade e prosperidade para todos.

A COMEÇAR POR MIM sugere um olhar sensível para a realidade, abandonando vibração negativa, negacionista e destrutiva para valorizar a realidade de que todos e todas podem viver com dignidade.  Que as diferenças são bem vindas porque nos dão a oportunidade de conhecer e experienciar aquilo que sozinhos não perceberíamos como autêntico e legítimo.

Portanto, você   pode começar, hoje.

Ieda Maria

É Natural de Braga/RS, de volta à cidade natal desde 2013.

Viveu em Dourados/MS, por 30 anos, onde atuou como Capelã Hospitalar, Pastora Evangélica e iniciou a carreira de Escritora, publicando cinco livros.

Atualmente é MEI com a empresa Cultura da Paz, e trabalha com Cursos, Treinamentos e Palestras voltadas para a autorresponsabilidade e qualidade de vida.

Contato: iedamaria.palestras@gmail.com

empresa.iedamaria@gmail.com

https://www.facebook.com/iedamaria.educadora

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