Com 522 mortes em 7 anos, BR-386 é a rodovia mais perigosa do RS

Ao ano passado teve 626 acidentes com 53 vítimas nos quase 450 km. Ministério dos Transportes prepara edital para duplicar trecho em 30 anos.

A BR-386 já matou 522 pessoas nos últimos sete anos no Rio Grande do Sul, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O número aponta que a estrada entre a Região Metropolitana de Porto Alegre e a divisa com Santa Catarina é a mais perigosa do estado.

No ano passado, foram 626 acidentes, e 53 pessoas morreram nos quase 450 quilômetros entre Iraí, no Norte do estado, até Canoas, na Região Metropolitana. Nesta quarta (4), foi registrado o primeiro acidente com morte na rodovia em 2017.

“Grande parte da rodovia ainda não é duplicada. Isso faz com que os condutores se arrisquem em ultrapassagens proibidas, ultrapassagens forçadas, o que algumas vezes acaba provocando algumas colisões frontais, que são as principais causas de acidentes nas rodovias”, diz o agente da PRF Dimitrius Franco.

Chegam a passar 25 veículos por dia pela rodovia, a maioria caminhões. O perigo aumenta nos trechos de pista simples, como entre Lajeado, no Vale do Taquari, e Tio Hugo, no Norte, onde a duplicação deve ser feita em 30 anos, conforme um edital que o Ministério dos Transportes está preparando.

Por enquanto, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) construiu terceiras faixas. Segundo a PRF, este tipo de intervenção reduziu o número de mortes em um trecho da BR-386 em Fontoura Xavier de 77 em 2015 para 53 no ano passado.

Enquanto concedia entrevista, o integrante da Comissão Pró-Duplicação da BR-386 Verno Aldair Müller chamou a atenção para um motorista que deu uma freada brusca para não atropelar um cão que atravessava a rodovia. “Em diversos outros pontos, são necessárias as terceiras faixas e os controladores de velocidade no perímetro urbano. Olha aí… Estamos assistindo nesse momento a uma freada brusca, quase um acidente, enquanto estamos falando. Temos essa situação dia-a-dia”, disse.

A agricultora Maria Gecilda Boch conta que perdeu o marido em um acidente de moto na BR-386. “Até hoje eu sinto que parece que ele não está morto. Para mim ele está trabalhando. E já faz sete anos, e nada foi feito”, lamenta.

No Vale do Taquari, depois de muita espera, as obras de duplicação da BR-386 que começaram em 2010 foram retomadas. Dos 33 km previstos no projeto inicial, 10 ainda vão passar por melhorias no trecho entre Estrela e Bom Retiro do Sul, e o serviÇÃO só deve ser concluído no fim do ano.

Somente no trecho que ainda não foi duplicado, de janeiro de 2015 até setembro do ano passado, foram registrados 14 acidentes, com duas vítimas. O fluxo nesse trecho chega a 17 mil veículos por dia e para os motoristas, a os motoristas locais esperam pela duplicação para que o trânsito seja mais seguro.

“Vamos ver se daqui a alguns anos nós vamos andar nessa duplicação, porque prometem bastante”, diz o motorista Valdir Bervanguer.

Postada originalmente em: 2017-01-08 11:33:00

Categoria original: Trânsito

Fonte: G1

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on telegram

MAIS LIDAS

VÍDEOS

Mais notícias

Polícia Federal investiga mais de R$ 2 bilhões em supostos desvios da covid-19
Após cerca de um ano desde o início da...
(Confira Vídeo) Dupla invade e furta itens de empresa no centro de Frederico Westphalen
Dois indivíduos invadiram e furtaram uma empresa na madrugada...
RS tem 405 municípios infestados pelo Aedes aegypti, que transmite dengue, zika e febre chikungunya
Dos 497 municípios do Estado do Rio Grande do...
Brigada Militar apreende mercadoria por descaminho em Horizontina
Na tarde de terça-feira (20) Policiais Militares do 4º...
Indígenas detidos em uma cadeia na reserva indígena em Ronda Alta morrem carbonizados
Por volta das 1:00h da madrugada desta quarta-feira, dia...