Como inteligência artificial deve ajudar Brigada Militar a antecipar ações de criminosos

Antecipar a ação de criminosos e prever ocorrências violentas por meio da análise de dados é um dos projetos que estão sendo desenvolvidos no Centro de Inovação e Pesquisa da Brigada Militar, que passou a funcionar há três semanas no campus da PUCRS, na Capital. Um acordo de cooperação entre as duas instituições pretende acelerar a modernização de ações da BM com uso de tecnologia, pesquisa, algoritmos e processamento de informações para dar mais precisão ao trabalho policial.

Na prática, a BM quer usar inteligência artificial para combater o crime e busca ajuda da academia para trocar conhecimento. À frente do centro, o major Roberto dos Santos Donato explica que a parte das ocorrências mais violentas estão relacionadas a fatores comuns. Na Região Metropolitana, por exemplo, têm vinculação com tráfico de drogas, armas, organizações criminosas e a maioria dos homicídios se concentra onde há volume significativo de apreensão desses itens. Por isso, a probabilidade de um assassinato acontecer nesses territórios é maior.

O espaço da BM na PUCRS pretende desenvolver algoritmos capazes de fazer o processamento desses dados, cruzando ocorrências, históricos, indicando variáveis e prevendo cenários de ações criminosas.

— Há série de crimes que são diretamente correlatos a determinadas atividades, outros que acontecem num curto raio de escolas. Queremos estudar e entender a dinâmica deles e as variáveis que tragam resposta para melhor tomada de decisão — explica o major.

 

Parâmetros semelhantes podem ser aplicados para o enfrentamento ao roubo de veículo, identificando horários, regiões, qual modelo de carro favorito dos criminosos e detalhes da dinâmica das ações.

 

— Já fazemos isso manualmente, lendo ocorrência por ocorrência e colocando os dados no Excel. A ideia é a que a inteligência artificial permita que os software recebam os dados e me respondam, por exemplo, que o carro prata é o principal alvo quando está estacionado em frente a supermercado. Com essa resposta, trabalho com a prevenção — adianta o oficial.

 

Nesse processo, a academia vai trazer sua expertise para o tratamento de dados, ensinando à BM como desenvolver algoritmos onde as informações da corporação serão processadas. A BM já trabalha com estatística, banco de dados que produzem gráficos e mapas, mas espera que, por meio de software inteligentes, possa chegar a melhores soluções de policiamento.

 

— A universidade precisa estar além muros, não pode ser só encapsulada. Estamos tentando ser atentos ao que a sociedade espera de uma instituição como é a nossa. Precisamos reforçar atividades voltadas à eliminação da intolerância e da violência — avalia Solimar Amaro, relações institucionais da Reitoria da PUCRS.

 

A equipe vai contar com cinco policiais fixos, mas poderá ter especialistas volantes em diferentes áreas. O espaço conta com auditório, sala multiuso e gabinetes e ocupa quase metade de um andar no prédio 5 da PUCRS. O centro é comandando pelo major Donato, doutorando em Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade na escola de Administração da UFRGS.

 

O major já comandou o Observatório de Segurança, na Secretaria da Segurança Pública, produzindo estatísticas, auxiliando pesquisas acadêmicas e sendo responsável pelas respostas da Lei de Acesso a Informação. O oficial também é o gestor da BM no RS Seguro —programa de combate à criminalidade do RS — que já trabalha com análise de informações para reduzir indicadores de violência.

 

Menos PMs em funções administrativas 

Outra prioridade do centro é a transformação digital do 9ª Batalhão de Polícia Militar de Porto Alegre e do Comando de Policiamento de Choque, responsável pelos seis Batalhões de Choque no RS. O projeto piloto se iniciou na semana passada e pretende zerar o uso de papel nesses ambientes, automatizando processos e permitindo que softwares façam atividades internas que hoje são feitas por policiais, como controle de frota, de efetivo, de escalas, organização de operações e mapeamento de ocorrências. O objetivo final é retirar policiais de serviços administrativos e colocá-los na rua, otimizando o efetivo e dando mais eficiência ao trabalho operacional, segundo o major:

 

— Já não utilizamos muito papel e temos muitos processos que são digitais, mas queremos tirar o policial da frente do computador e fazer com a máquina faça aquilo por ele. Nossa expectativa é tornar o mais digital possível nossos serviços internos para que mais policiais sejam liberados das áreas administrativas. Há uma série de processos que podem ser automatizados. Temos um cálculo prévio que isso poderia liberar 300 policias em todo Estado para o policiamento.

 

A meta é entregar ao menos 80% do dois setores digitalizados em 18 de novembro, data no aniversário da BM. O trabalho vai contar com apoio de cinco desenvolvedores de software, que são policiais militares, e integram o departamento de informática da BM.

 

O 9ªBPM foi escolhido como piloto por ser responsável pelo Centro Histórico e arredores, região de Porto Alegre com maior fluxo de pessoas e população flutuante e ter farta variedade de ocorrências. Já o Comando de Choque é responsável por batalhões que fazem ações específicas e de maior periculosidade e atendem, de forma pulverizada, em todo Estado.

 

Em paralelo a essas ações, o Centro de Inovação e Pesquisa da Brigada Militar também será formalmente apresentado a comunidade acadêmica, por meio dos programas de pós-graduação da PUC, para o debate de possibilidades de pesquisa e discussão de problemas que necessitam de solução dentro da BM.

 

— É uma parceria que ajuda a encontrar soluções que melhora a vida das pessoas e da sociedade, eles estarão no prédio 5 mas a ideia é que possam circular pelo campus e fazer muitas trocas. Estamos felizes em ver um órgão de policiamento como a BM investindo em ciência, pesquisa, inteligência e ciência de dados com policiais extremamente qualificados, trabalhando com a prevenção — considera Solimar Amaro, Relações Institucionais da Reitoria da PUC-RS.

 

Uma das reuniões já agendadas para esta semana com pesquisadores da PUC pretende discutir formas de prevenir o contágio do coronavírus por agentes da segurança pública, onde serão apresentadas informações de atendimento do Hospital da Brigada Militar.

Fonte: GZH

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