Companheira atribui a mãe de Miguel responsabilidade pela morte do menino em Imbé

Bruna Nathiele da Rosa prestou depoimento na 1ª Vara de Justiça de Tramandaí (RS) — Foto: Reprodução/RBS TV
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Os dois dias de audiência sobre o processo da morte do menino Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, em Imbé, encerraram nesta sexta-feira (19) com os depoimentos das duas rés. A mãe do menino, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, se manteve em silêncio durante toda a sessão.

Já a ex-companheira dela, Bruna Nathiele Porto da Rosa, atribuiu a Yasmin a reponsabilidade pelos crimes. Ambas são acusadas de homicídio, tortura e ocultação de cadáver.

A advogadas de Bruna, Helena von Wurmb, sustenta que ela não teve participação no crime, pois estaria na sala enquanto Yasmin agrediria o menino no quarto. “Todas as vezes que tentou adentrar ao cômodo, foi impedida, e por ter uma relação de medo, submissão com a Yasmin, não forçou a entrada”, afirma.

O advogado de Yasmin, Tomás Antônio Gonzaga, diz que não teve acesso integral ao processo e que ela só irá se manifestar caso vá a plenário.

As audiências ocorreram na 1ª Vara Criminal de Tramandaí, também no Litoral Norte. O depoimento de Bruna iniciou por volta das 15h.

Ela confirmou que Miguel era deixado dentro do guarda-roupas do quarto da pousada onde os três moraram por duas semanas. Contudo, alega que Yasmin é a responsável e que se sente arrependida de não tê-la impedido de cometer o crime.

O Ministério Público discorda e atribui a ela igual responsabilidade. “Por todo conjunto probatório, por todos os elementos, todas as provas, principalmente aquelas das quebras de sigilo dos aparelhos celulares, que inclusive foram questionadas a ela, é nítido que ambas tem participação imensa e controle sobre esta ação de castigo e atos sobre o menino”, diz o promotor André Tarouco.

A advogada de Bruna reclamou que a defesa ainda não teve acesso aos vídeos incluídos nos autos do processo. “Hoje foi mostrado pelo promotor, várias vezes, inclusive, e ainda não chegaram ao nosso conhecimento”, diz.

Momentos de tensão

Cerca de uma hora após o início do interrogatório de Bruna, a defesa pediu para que a cliente saísse da sala de audiência para tomar um remédio. A advogada alega que ela se sentiu pressionada pela reprodução dos vídeos e, por isso, precisou de atendimento médico.

O juiz Gilberto Pinto Fontoura autorizou e, quando Bruna voltou, cerca de cinco minutos depois, pediu para ficar em silêncio e não falou mais nada.

Durante o depoimento dela, inclusive, o juiz demonstrou emoção e chegou a chorar. Isto fez com que a defesa de Yasmin pedisse a suspeição do magistrado, “tendo em vista que o mesmo demonstrou ficar emocionalmente abalado”, conforme o advogado Tomás.

Porém, o juiz Gilberto Pinto Fontoura negou o pedido, reconheceu o abalo emocional, mas disse que “isso de forma alguma gera qualquer indicativo de parcialidade”. As defesas podem recorrer a instâncias superiores.

Relembre o caso

Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, foi dado como desaparecido no dia 29, data em que o Corpo de Bombeiros Militar iniciou as buscas. Porém, segundo a Polícia Civil, a mãe admitiu que a criança foi morta e atirada no Rio Tramandaí dois dias antes.

De acordo com o Ministério Público, o menino vivia sob agressões e violência, e foi assassinado porque as mulheres o consideravam um “empecilho” para a vida do casal.

procura foi suspensa pelos bombeiros depois de 48 dias. O delegado responsável pelo caso, Antonio Carlos Ractz, comentou que não existiam mais razões técnicas para manter as buscas pelo corpo de Miguel.

A investigação revelou que a mãe e madrasta de Miguel andaram cerca de 2 km com uma mala em que estaria o corpo do menino. Imagens de câmeras de segurança flagraram as duas carregando o objeto com a criança dentro. (Veja vídeo acima)

A perícia confirmou que o DNA encontrado dentro da mala é o do menino, bem como o sangue identificado em uma camiseta e em uma corrente.

Em uma das etapas da investigação, a Polícia Civil revelou pesquisas que teriam sido feitas por Yasmin no celular. Nas consultas, a mãe do menino buscava informações se “digitais humanas saem na água salgada do mar”.

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G1RS

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