Confira Vídeo: Imagens de câmeras de segurança mostram série de acidentes em Santa Maria

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Ao longo do primeiro ano do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Santa Maria (Ciosp), as mais de 870 câmeras, que fazem parte do cercamento eletrônico, registraram diversos acidentes de trânsito. A reportagem do Bei teve acesso a um vídeo que reúne 10 flagrantes do trânsito. Quatro são atropelamentos de pedestres na faixa de segurança. Os outros seis são colisões entre carros e motocicletas.

Esses flagrantes foram gravados pelas câmeras de novembro do ano passado até julho deste ano. Quatro aconteceram na Avenida Medianeira e, três, na Presidente Vargas. Apesar das imagens fortes, em nenhum dos casos houve vítimas fatais.

O vídeo com imagens compiladas pelo Ciosp não está em ordem cronológica dos fatos. A primeira imagem mostra uma colisão transversal entre uma motocicleta e um carro, em 13 de abril deste ano, no cruzamento na Avenida Liberdade com a Presidente Vargas. Já do segundo ao quinto registro, as câmeras flagraram quatro atropelamentos de pedestres. Todos em faixa de segurança.

O primeiro atropelamento aconteceu em 7 de abril, entre a Rua Venâncio Aires e a Avenida Rio Branco. O segundo, foi em 18 de novembro do ano passado, na Rua Serafim Valandro, próximo da Avenida Presidente Vargas. O terceiro aconteceu em 6 de julho. Quando um homem atravessava a via, na Rua André Marques, e foi atingido por um veículo que trafegava pela Venâncio Aires e dobrava à esquerda. O quinto e último aconteceu na Avenida Medianeira, na noite de 17 de junho. Uma mulher foi atropelada por uma motocicleta, que teria passado no sinal vermelho na esquina com a Rua Duque de Caxias.

Os outros cinco casos, são colisões entre dois veículos. Na manhã de 29 de junho, uma motocicleta não conseguiu frear a tempo e colidiu na traseira de um carro que parou na sinaleira na Avenida Presidente Vargas. Já na noite de 24 de junho, um carro que trafegava pela Visconde de Pelotas, colidiu lateralmente em outro carro que seguia pela Avenida Presidente Vargas. Já na noite de 23 de junho, um veículo colidiu na traseira de outro carro que estava parado na sinaleira da Avenida Medianeira, próximo ao cruzamento com a Fernando Ferrari. Com a batida, o carro foi arrastado por alguns metros.

Já no cruzamento da Avenida Medianeira com a Rua Floriano Peixoto, duas colisões foram registradas, uma no dia 27 de março, entre dois carros, e outra em 26 de maio, entre um carro e uma motocicleta.

MAIORIA DOS ACIDENTES ACONTECE LATERALMENTE
De acordo com o secretário de Mobilidade Urbana, Orion Ponsi, um estudo inédito realizado em Santa Maria constatou que nos últimos dois anos o maior número de mortes no trânsito na cidade foi causado por atropelamentos. Dentre os acidentes com lesão corporal, 62% envolveram motociclistas e, 12%, ciclistas. A grande maioria foi causada por colisões laterais. Com esses dados, o secretário explica que o conjunto de pedestres, ciclistas e motociclistas forma o grupo mais vulnerável do trânsito santa-mariense.

– O grau de gravidade e letalidade dos acidentes está relacionada com a velocidade praticada pelos motoristas. Para coibir esses acontecimentos, criamos várias ações voltadas aos pedestres e aos motociclistas e direcionamos nossas ações de fiscalização – conta Ponsi.

O secretário destaca que os controladores de velocidade surgiram para contribuir com a redução dos acidentes. Os controladores, além de monitorar a velocidade, também controlam a passagem dos motoristas no sinal vermelho, o que evita que mais colisões laterais venham a acontecer. A parada sobre a faixa de segurança também é fiscalizada, como forma de manter o respeito aos pedestres que a usam.

Em relação ao limite de velocidade, o secretario afirma que um estudo internacional mostra que a 60 km/h o grau de letalidade de um acidente se aproxima de 100%. Por isso, a redução para 50 km/h.

– Esse conjunto de ferramentas que temos no Ciosp, e as ações de mobilidade urbana voltadas para a fiscalização, como a educação no trânsito, a engenharia de tráfico através dos meios físicos, materiais e de tecnologia, é utilizado para prover mais segurança e proteger as pessoas desses riscos aumentados no trânsito – afirma Ponsi.

O secretário Ponsi fala do moto automático em que muitos motoristas dirigem. Essa automatização, faz com que as pessoas venham a criar uma memória mecânica do que estão fazendo, não depositando a atenção necessária que deveriam ter. Essa falta do estado de presença, como é denominada esta situação pelo secretário, faz com que muitos acidentes, que poderiam ser evitados, acontecem.

AUMENTO DO TRÁFEGO NAS RUAS PROVOCA CONFLITOS, DIZ PROFESSOR
Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutor em Mobilidade Urbana Carlos Félix, muitas cidades apresentam pontos críticos de acidentes e gargalos considerados caóticos em relação à capacidade de deslocamento e mobilidade de sua população e do transporte.

Ele explica que há muitas pesquisas que surgem para contribuir com a construção de uma perspectiva mais otimista de como melhorar essa situação e viabilizar um sistema de mobilidade urbana capaz de favorecer e facilitar as pessoas.

– Os novos tempos conduzem a novos pensamentos sobre mobilidade urbana, as diretrizes ficam voltadas para uma “cidade para as pessoas” que todos possam usufruir de todo o potencial da cidade, onde deve haver acessibilidade, deslocamento de forma tranquila e segura, sustentável e integrada entre sociedade, economia e meio ambiente – afirma o professor.

Em relação à nova rotina que a pandemia trouxe para as pessoas, Felix explica que houve um aumento do deslocamento a pé, em que as pessoas assumiram e ganharam mais espaço nas vias, já que o fluxo de veículos havia diminuído. Agora, com o aumento do tráfego de veículos, acontece o confronto de quem quer ser o dono do espaço.

A falta de atenção é apontada pelo professor como uma preocupação quanto às colisões laterais.

– Há uma mistura potencial de risco por falta de atenção, a falta do uso de setas ou indicações das manobras, tornando-as mais perigosas e arriscadas pelo inusitado. Piorando a situação se associada à alta velocidade ou acompanhadas dos outros fatores principais de acidentalidade, como beber e dirigir, uso do celular, sem cinto de segurança/capacete/cadeirinha – conclui.

Fonte: Bei

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