A Polícia Civil, após coibir facções que, no final de junho, deixaram dez mortos, em Porto Alegre, agora trabalha na descapitalização dos responsáveis. Nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Guaíba, que pode ser vista aqui, o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mario Souza, explicou o prejuízo financeiro de assassinatos ao tráfico.
“Foi a primeira vez, neste ano, que atritos entre facções geraram aquilo que ninguém quer: mortes. É isso que não pode ocorrer, pois a violência transborda para a sociedade. Logo, junto ao efetivo da Brigada Militar, saturamos os pontos de tráfico, dificultando, assim, a venda de drogas”, disse Mario Souza.
Repressão no sistema prisional
Também ocorreram buscas em presídios, ou seja, revista de detentos e celas. Ademais, transferências ao Sistema Penitenciário Federal estão sob avaliação.
“Fizemos ações ao lado da Polícia Penal. Além disso, consideramos medidas ainda mais severas, como a transferência de presos”, avisou Mario Souza.
Asfixia financeira de facções
Demais ações incluem dilapidar o patrimônio individual e familiar de cada traficante, ou seja, o congelamento de suas contas bancárias. Em suma, atingir outras fontes de renda, além do tráfico.
“Uma das medidas mais fortes está em curso, que é a operação contra lavagem de dinheiro. O recado é claro: se as facções matarem, terão prejuízo financeiro”, alertou Mario Souza.
Protocolo das Sete Medidas Contra Homicídios
Em síntese, no Rio Grande do Sul, as forças policiais atuam com base no Protocolo das Sete Medidas Contra Homicídios. Logo, resumidamente, implementam ações na seguinte ordem:
- Operações de saturação de áreas
- Ações pontuais: prisão de suspeitos, apreensões em pontos de tráfico e identificação de responsáveis
- Revistas em presídios
- Responsabilização e indiciamento de lideranças
- Asfixia financeira de facções e operações contra lavagem de dinheiro
- Transferência e isolamento de presos em presídios estaduais
- Transferência de presos ao Sistema Penitenciário Federal.
O protocolo decorre da teoria da Dissuasão Focada, que visa reduzir mortes através da repressão seletiva de pessoas, em suma, as responsáveis por homicídios. Analogamente, a ideia é influenciar os mandantes de crimes, combinando a lei com outras medidas, como asfixia financeira e transferência de presos.
Afinal, o criador da técnica é o criminologista norte-americano David Kennedy. Em resumo, ele aplicou a teoria nos Estados Unidos, em meados da década de 1990, tendo como exemplo Boston. Outrossim, a metodologia também serviu na Colômbia.
Fonte: Marcel Horowitz






















