“Destruiu uma família e a minha vida”, diz manicure que viu cliente ser morta a facadas dentro de salão de beleza em Igrejinha

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Desde o último sábado (23), Rosele Brazeiro Leite, 33 anos, enxerga repetidas vezes na sua frente a cena trágica que presenciou naquela manhã. Dentro do salão de beleza do qual é dona em Igrejinha, no Vale do Paranhana, viu a cliente e amiga Maria Josiane Barcelos, 43, ser atacada a golpes de faca. O ex-marido da vítima, Gilmar Vasen, 47, teve prisão preventiva decretada e está hospitalizado, após ser atropelado por um caminhão.

Rosele mantém um salão perto de onde Josi, como era conhecida, residia em Igrejinha com os dois filhos, uma adolescente de 17 anos e um jovem de 19. Às 8h do último sábado, a manicure recebeu uma ligação da cliente avisando que tinha acordado atrasada. Ela pediu que a amiga se apressasse, já que na sequência precisava fazer outro atendimento. Dez minutos depois, Josi estava no salão. À noite, ela pretendia ir num evento em um CTG com a família.

— Ela queria colocar a cor preta, mas eu disse que não: “Vamos colocar vermelho, que é vida”. Aí convenci ela a colocar o vermelho — recorda a manicure.

Logo após terminar o atendimento, Josi se sentou numa poltrona e continuou conversando com a amiga. A outra cliente já estava no salão, quando Josi olhou pela vitrine e viu o veículo do ex-marido cruzando em frente ao estabelecimento.

— Meu Deus, nem sabe quem passou — disse Josi, assustada.

— Ela se levantou e me pediu para não deixar ele entrar. Eu disse: “Vai lá para trás, que ele não vai fazer nada para ti aqui. Ele não é louco” — lembra Rosele.

Josi se abrigou no banheiro, pouco antes de o ex surgir junto à porta. A proprietária ainda tentou impedir que ele entrasse, mas Vasen argumentou que só queria conversar.

— “A Josi não quer falar com você”, respondi. E ele repetiu, bem tranquilo: “Gostaria só de falar com ela”. Ainda segurei ele com o braço: “Moço, vou chamar a polícia”. Ele me empurrou e foi na direção do banheiro. Nesse tempo, deu um chute na porta e comecei a ouvir ela gritando: “Ele vai me matar! Ele vai me matar!” — descreve Rosele.

Quando viu a cena, a manicure pensou inicialmente que o homem estava agredindo Josi com socos. Ela só se deu conta de que havia uma faca, quando puxou o braço dele, tentando conter as agressões. Logo depois, o homem deixou o local.

— Ele guardou a faca, arrumou o casaco, abriu a porta e saiu — conta Rosele.

Atingida por cinco facadas, Josi foi levada para o hospital de Igrejinha com perfurações no abdômen, e chegou a ser transferida para Canoas, mas não resistiu e morreu na noite de sábado. No domingo (24), Vasen foi localizado, após ser atropelado por um caminhão na BR-116, em Novo Hamburgo. Ele segue hospitalizado, em estado grave, e teve prisão preventiva decretada pelo feminicídio.

— Ele destruiu uma família e a minha vida. Essa noite não consegui dormir. Fecho os olhos e lembro. Fico quieta e escuto tudo de novo. A Josi só queria ser feliz, poder sair com a família dela, os filhos. Só queria viver em paz. Sempre dizia: “Quero paz, tranquilidade, sossego” — diz Rosele.

Sonhava em morar ao lado dos pais

Após se separar do ex-marido, com quem viveu por 26 anos, Josi tentava reconstruir a vida. O sonho dela era voltar a morar junto aos pais Carlos Eloir Gomes Barcelos, 72 anos, e Erenita da Veiga barcelos, 68, também em Igrejinha. Apegada à família, projetava construir uma casa ao lado da moradia deles, para se mudar com os dois filhos.

— Quase todo dia, ela vinha aqui. Meio-dia dava uma passada. Ligava para a mãe, fim de semana, todo sábado estava aqui. Não falhava um — lembra o irmão Eloir Jair Gomes Barcelos, 51 anos.

O motorista diz que naquele sábado a irmã também pretendia ir para a casa dos pais logo após sair do salão. Quando passava perto do local, o pai dela viu a movimentação no estabelecimento e a motocicleta da filha estacionada em frente. Foi quando descobriu que a caçula havia sido atacada — Josi já havia sido levada para atendimento médico.

— Nós tínhamos medo que ele fizesse algo, mas não sabíamos a que ponto. Ele ameaçava se matar. Nunca dizia: “Vou te matar”. Fazia chantagem emocional, que ele ia se matar. Ela estava pensando em pedir medida protetiva — diz o irmão.

Ao longo dos anos de relacionamento, segundo a família, Josi lidava com o controle e ciúme do marido. Em 1997, ela chegou a registrar uma ocorrência contra Vasen, após ser agredida, mas os dois seguiram com o casamento. Ela decidiu que não queria mais manter a relação e pediu o divórcio havia cerca de quatro meses. Ela estava trabalhando numa escola infantil de Igrejinha.

— Ela cansou do jeito de ser dele, autoritário, controlador. Implicava com os empregos dela. Queria que ela ficasse só em casa. Tinha ciúme quando ela se arrumava para ir trabalhar. Estava sempre marcando em cima. Ela estava faceira, com o emprego novo. Com a vida nova que ia ter agora ao lado dos filhos. Antes ela estava sufocando. Dizia que era um alívio. Mas ele não aceitava a separação — recorda o irmão.

Perseguição

Mesmo após a separação, Vasen continuou procurando a ex-mulher, segundo os familiares. Enviava áudios e mensagens pedindo para que ela reconsiderasse o término.

— Tinha áudio que durava 4B8r3B4p7yhRXuBWLqsQ546WR43cqQwrbXMDFnBi6vSJBeif8tPW85a7r7DM961Jvk4hdryZoByEp8GC8HzsqJpRN4FxGM9 psicóloga — relata o irmão.

Rosele, que conheceu Josi em outubro do ano passado, quando ela se tornou sua cliente no salão de beleza, também acompanhou parte deste período.

— Ela dizia que uma semana mandava mensagem dizendo que estava arrependido, que queria a família de volta. Depois, mandava mensagem desaforando, dizendo que ela não ia ser feliz com ninguém, sem ele. Continuava insistindo. A Josi era muito doce. Foi a mulher mais doce que conheci, calma. Sempre risonha. Estava realizada no novo emprego — afirma a amiga.

No próximo sábado (30), familiares e amigos pretender realizar uma caminhada em Igrejinha como forma de alerta para o caso e homenagem para Josiane. A manifestação deve sair da área central e seguir até a frente do salão. O crime causou revolta no município, de cerca de 30 mil habitantes.

— O que aconteceu com ela, da forma como aconteceu, revoltou muito a gente. Ali onde tenho meu salão, passei no domingo, e já tinha várias flores para ela, na porta. A Josi era uma pessoa amável, maravilhosa, que todo mundo gostava — diz a proprietária, que agora pretende criar um jardim como homenagem à amiga.

Investigação
No início desta semana, a dona do salão foi ouvida pela Polícia Civil de Igrejinha, que investiga o caso. Segundo o delegado Ivanir Caliari, a expectativa é de encaminhar o inquérito na próxima semana.

O telefone da vítima foi recebido ao longo desta semana e está sendo analisado pela investigação. O objetivo é verificar mensagens que tenham sido encaminhadas pelo ex-marido. Como Vasen segue hospitalizado, em estado grave, a polícia ainda espera para tentar ouvi-lo nos próximos, se for possível.

Contraponto
Segundo a Polícia Civil, o suspeito ainda não possui advogado constituído e não pode ser ouvido porque sofreu traumatismo craniano e segue hospitalizado, em estado grave.

Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Procure ajuda
Caso você esteja enfrentando alguma situação de sofrimento intenso ou pensando em cometer suicídio, pode buscar ajuda para superar este momento de dor. Lembre-se de que o desamparo e a desesperança são condições que podem ser modificadas e que outras pessoas já enfrentaram circunstâncias semelhantes.
Se não estiver confortável em falar sobre o que sente com alguém de seu círculo próximo, o Centro de Valorização da Vida (CVV) presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato. O CVV (cvv.org.br) conta com mais de 4 mil voluntários e atende mais de 3 milhões de pessoas anualmente. O serviço funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados), pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil (confira os endereços neste link).
Você também pode buscar atendimento na Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua casa, pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no telefone 192, ou em um dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Estado. A lista com os endereços dos CAPS do Rio Grande do Sul está neste link.

 

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Fonte: GZH

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