Filhos de PRF aposentado morto por PMs em Torres são soltos; crime aconteceu após briga

Foto: Max Corrêa/RBS TV
Slider

Os irmãos Lucas e Fábio Zortéa, presos após uma briga em que o pai, Fábio Cezar Zortéa, foi morto a tiros por policiais militares, foram soltos na manhã desta terça-feira (24). A decisão é da juíza Marilde Angélica Webber Goldschmidt, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Torres, que entendeu que a soltura deles não representa risco à ordem pública.

Fábio, que também foi atingido por um tiro, foi hospitalizado e ficou preso sob custódia. Já Lucas foi encaminhado para prisão, mas já foi liberado. O flagrante da BM foi lavrado por desacato, resistência a prisão e tentativa de homicídio.

O caso ocorreu na madrugada de segunda-feira (23), em Torres, no Litoral Norte do RS, em frente ao prédio onde a família mora. Zortéa era policial rodoviário federal aposentado, e tinha 59 anos. Ele teria tentando interceder pelos filhos, que eram abordados por dois policiais do 2º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (2º BPAT).

O PRF foi velado e enterrado na manhã desta terça.

Os filhos teriam ido até uma padaria, onde começou um desentendimento, segundo informações preliminares. Já na frente do prédio onde moram, a Brigada Militar foi chamada e abordou os dois.

O pai tentou intervir e acabou alvejado, conforme a polícia. Nas imagens, é possível ouvir o homem dizendo que é policial. Veja acima

“Não faz isso, não faz isso. Eu sou polícia também”, grita.

Em outro momento, uma mulher aparece nas imagens, pedindo para que não batam no filho. “Chega! Não bate no meu filho”, diz ela, no que o homem responde: “Tu não bate na minha mulher também”.

Após os tiros disparados, o homem volta a pedir que os policiais militares parem.

“Não faz isso. Tu é louco, cara?”, questiona.

Os dois policiais envolvidos na ocorrência foram afastados. “A Brigada Militar também informa que os policiais militares envolvidos na ocorrência já estão afastados de suas atividades e serão atendidos pelo serviço psicossocial prestado pelo Comando Regional, em Osório”, diz, em nota. Leia a nota na íntegra ao fim desta reportagem.

O advogado da família, Ivan Brocca, sustenta que houve execução e tentativas de homicídio. Ele diz que Zortéa e os filhos não estavam armados. Ainda segundo o advogado, imagens obtidas pela defesa mostram que o pai foi agredido com uma paulada antes do tiro. Assista acima

Segundo Brocca, Zortéa agiu na tentativa de defender os filhos. “Qual pai não faria isso? A gente tem que se colocar no lugar do pai. Digamos que fosse verdadeira a versão [de vandalismo], que não ocorreu, ainda assim não justificaria aquele final”, diz.

O Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Litoral (CRPO Litoral) informa que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos. Segundo o CRPO, para manter isenção e transparência, foi encarregado do inquérito um oficial do Comando Regional, e não do 2º BPAT.

‘Boa técnica não recomenda abordagens desse tipo’, diz vice

O vice-governador e secretário de Segurança Pública do RS, Ranolfo Vieira Júnior, falou sobre o caso na manhã desta terça-feira (24).

“Os fatos falam por si só. A boa técnica não recomenda abordagens desse tipo. As investigações estão em andamento”, disse ele, ressaltando que “não podemos julgar a BM por esse fato isolado”.

PRF se manifesta

De acordo com a PRF, Zortéa ingressou na instituição em 1994 e exerceu suas atividades na Delegacia de Osório, onde se aposentou, em 2014.

“Manifestamos nossa solidariedade e nosso sincero desejo de conforto à família nesse momento de dor. A PRF está prestando o apoio à família e acompanhará as investigações da Polícia Civil e da Brigada Militar, responsáveis pela apuração das condutas dos envolvidos, enquanto se coloca à disposição em contribuir para uma justa e isenta investigação”, afirma a PRF.Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) afirmou que “acompanhará o desdobramento do caso com a devida atenção”. Leia na íntegra abaixo.

Nota oficial da Brigada Militar

A Brigada Militar manifesta-se, por meio desta nota, sobre a ocorrência na madrugada da segunda-feira (23/8), no centro de Torres, na qual houve confronto entre dois policiais do 2º BPAT e três indivíduos. Após abordagem ao veículo em que dois deles estavam, o pai de ambos saiu de dentro de um prédio e houve o confronto do qual restaram um dos homens lesionados, um PM ferido e o pai, o policial rodoviário federal aposentado Fábio Cezar Zortea, em óbito.

Em primeiro lugar, a Brigada Militar lamenta a morte do policial aposentado e reforça a integração que mantém com a Polícia Rodoviária Federal.

O Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Litoral (CRPO Litoral) já instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos e determinou como encarregado do IPM um oficial do Comando Regional, e não do 2º BPAT, a fim de manter total isenção e elucidar a ocorrência com a transparência necessária.

A Brigada Militar também informa que os policiais militares envolvidos na ocorrência já estão afastados de suas atividades e serão atendidos pelo serviço psicossocial prestado pelo Comando Regional, em Osório.

Tão logo o IPM seja concluído, no prazo máximo de 60 dias, a Brigada Militar prestará as devidas informações.

Nota da OAB

A OAB/RS vem a público se manifestar sobre o lamentável e preocupante fato ocorrido na madrugada desta segunda-feira (23/08), no município de Torres, no Litoral Norte, envolvendo integrantes da Brigada Militar, um integrante aposentado da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e seus filhos.

A OAB/RS acompanhará o desdobramento do caso com a devida atenção. Reiteramos a importância da apuração dos fatos com a maior celeridade possível.

A cidadania não pode mais conviver com casos de violência e abusos. Que a investigação policial aconteça na seara militar e na seara judicial e possa elucidar o trágico episódio na cidade de Torres.

A OAB/RS oficiou o Secretário de Segurança Pública e Vice-Governador, Ranolfo Vieira, bem como ao Comandante-Geral da Brigada Militar, Vanius Cesar Santarosa, e ao Corregedor-Geral da Brigada Militar, Tenente-Coronel Robinson Vargas de Henrique, solicitando uma apuração célere, bem como requereu acesso e acompanhamento pela Ordem as investigações.

A OAB/RS seguirá acompanhando o caso até seu devido e completo esclarecimento.

Fonte: G1rs

Compartilhe:

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on telegram
Slider

MAIS LIDAS

Slider