Instrutor de aeromodelismo é preso em Portão por ensinar criminosos a operar drones

Polícia Civil / Divulgação

A Polícia Civil divulgou neste sábado (19) a prisão de um instrutor de aeromodelismo ocorrida durante a semana em Portão, no Vale do Sinos. Investigado desde julho do ano passado, o homem de 30 anos é suspeito de ensinar integrantes de facções a​ operar drones. Os criminosos usavam as instruções para enviar drogas e armas para presídios do Rio Grande do Sul. Em 2020, segundo a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), 22 drones foram apreendidos sobrevoando unidades prisionais em todo o Estado. Em 2019, foram 43.

De acordo com o titular da Delegacia de Eldorado do Sul, Guilherme Dill, a investigação começou a partir de um grupo de  seis traficantes que foi treinado pelo detido no município. Uma área afastada da zona urbana era utilizada durante as aulas. Os encontros eram semanais e os treinamentos seriam repassados depois para demais integrantes das quadrilhas em várias cidades gaúchas. Na casa do instrutor, foram apreendidos drone, controles, peças, celular, documentos e drogas.

— Os delitos são de associação criminosa e favorecimento pessoal. Com a prisão, ele será interrogado com o objetivo de saber com detalhes como ocorriam as instruções e sobre mais envolvidos. Sabemos que eles pretendem abastecer as lideranças criminosas que estão no sistema prisional. O que nos chamou a atenção é a especialidade técnica do indivíduo, uma vez que são raros os cidadãos que possuem essa qualificação e aceitam auxiliar criminosos dessa maneira — destaca Dill.

Investigação

Além de instrutor de aeromodelismo, o preso atua como mecânico de motor-home. Ele, que não teve o  nome divulgado, também montava e vendia drones para os integrantes das facções e, em alguns dos treinamentos, foi até o entorno de presídios, segundo o delegado Dill. Tanto é que, em duas ocasiões, ele foi detido durante suspeita de ações criminosas justamente sobre arremesso de objetos para dentro das cadeias: uma vez em Charqueadas e outra em Porto Alegre.

O diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana, delegado Mario Souza, informa que, por questões de segurança, valores sobre aulas e venda de equipamentos não estão sendo divulgados. Segundo ele, no início, o suspeito trocava as aulas por drogas, já que também é usuário, mas depois passou a cobrar pelas instruções.

— Infelizmente, ele se tornou uma espécie de referência, era o “professor” de criminosos para utilizar drones. Além de ter realizado algo incomum que era dar as instruções para facções diferentes. Agora vai ter de responder pelos seus atos — enfatiza Souza.

Apesar de a investigação ter iniciado há cerca de um ano, a primeira ocorrência registrada contra o instrutor e um grupo de traficantes foi no final de 2019, quando foram apreendidos drones avaliados, na época, em R$ 30 mil. Souza ainda destaca que, depois dessa data, foi possível confirmar que o preso deu aulas para criminosos que já foram flagrados enviando drogas e armas para o Presídio Central, Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), no mesmo município, e para o presídio de Osório, no Litoral Norte. A polícia já tem a identificação de todos os traficantes envolvidos.

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Fonte: GZH

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