Jovem que teve o corpo esquartejado desabafou para familiar que não estava feliz no casamento

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Na terça-feira (25), um dia antes de ter contato pela última vez com familiares, a jovem Liziane Beatriz Bastos, 26 anos, contou a um primo que não estava feliz e que não era mais aquela vida que queria.
Desde de fevereiro, ela morava com o açougueiro Jandir Scarantti, 28 anos, em Santa Rosa, no noroeste do Estado. Dois dias depois do desabafo, Scarantti foi encontrado morto com um tiro no banheiro de casa. A investigação do provável suicídio evoluiu para a localização do corpo de Liziane, esquartejado, em uma cova em Novo Machado. A família da jovem ainda tenta entender o que teria motivado o crime, cuja principal linha de investigação da polícia é de feminicídio seguido de suicídio.
Na terça-feira, em videochamada, Liziane teria feito desabafos a um primo. Ele fez até um print da imagem dela, que segundo a única irmã, demonstrava tristeza e abatimento e estaria infeliz com a relação. No final da tarde de quarta-feira, ela havia falado rapidamente por telefone com a mãe, que mora em Porto Mauá. Disse que iria a um jantar de amigos com o companheiro e que ligaria quando retornasse. Não ligou.
O WhatsApp dela foi acessado pela última vez às 21h36min da quarta-feira. Na quinta-feira, a mulher se surpreendeu ao ouvir em uma rádio a nota de falecimento de Scarantti. Tentou, sem sucesso, contato com a filha. O telefone dava sinal de desligado. Pensando que Liziane estava envolvida nos trâmites do sepultamento, esperou até a sexta-feira para ir ao velório do genro. Ao chegar no local, foi informada de que a filha estava desaparecida, possivelmente, “teria fugido”.
— Minha mãe chegou lá sem conhecer ninguém. Não conhecíamos os familiares dele. E aí disseram isso, que minha irmã tinha fugido. Chegamos a pensar se ela teria algum envolvimento com a morte dele. Mas depois policiais já me disseram que a hipótese mais forte era de que ele tivesse feito algo com ela antes de cometer suicídio — contou Alexsandra Bastos, 28 anos, irmã de Liziane.
Na residência do casal, a polícia havia apreendido, além da arma supostamente usada no suicídio, um celular, que seria de Scarantti. Mas na manhã da sexta-feira, mais um celular foi entregue à polícia, o que fez os policiais suspeitarem de que um dos aparelhos poderia ser de Liziane, que estava sumida. A partir disso, agentes começaram a fazer buscas pela jovem. Um parente de Scarantti colaborou apontando o imóvel em Novo Machado como provável lugar em que Scarantti poderia ter ido.
Na propriedade, agentes encontraram, na sexta-feira, uma cova com pedaços do corpo de Liziane. Imediatamente, outra equipe voltou ao imóvel em que o casal vivia e onde Scarantti foi achado morto na quinta-feira. Conforme o delegado Marcelo Lech, na garagem foi encontrada uma mala vazia suja de sangue.
Na churrasqueira, pedaços de lona com manchas de sangue também. Dentro da moradia, os policiais descobriram que o colchão fora virado para encobrir uma enorme mancha de sangue. O cenário fortaleceu a suspeita de que a jovem pode ter sido morta na casa.
No mesmo local, no freezer, foram encontrados pedaços de carne ainda não totalmente congelados e com coloração amarelada. Na geladeira, havia parte de um osso grande, semelhante a um fêmur. A pedido da polícia, a perícia indicará se o material é humano.
Em relação ao que foi localizado na cova, o delegado Lech solicitou que o Instituto-Geral de Perícias indique a causa da morte e faça a confirmação da identificação. De qualquer forma, familiares já reconheceram Liziane, que foi sepultada na manhã de sábado em sua terra natal, Porto Mauá.
Companheiro de jovem era ciumento e possessivo
Nos seis meses de relação do casal, a família de Liziane nunca soube de brigas ou agressões. A Polícia Civil não tem registro de ocorrências envolvendo turbulências no relacionamento. O que parentes e amigos da jovem sabiam é de que Scarantti era ciumento e possessivo.
— Ela era alegre e vaidosa, tinha muito cuidado com os cabelos, gostava de baile e tinha muito amigos. Ele não gostava que ela tivesse contato com amigos nem com familiares que fossem homens — lembra a irmã, Alexsandra Bastos.
No domingo (23), Liziane e Scarantti visitaram a mãe dela em Porto Mauá, como faziam com frequência. Almoçaram na casa de um vizinho da família e passaram a tarde jogando baralho. Sobre a mesa ficou um caderno em que anotaram quem ganhou mais vezes.
— É difícil acreditar no que aconteceu. Ela era uma pessoa feliz, conhecida por todos na nossa cidade e nunca notamos nada na relação deles. Ele falava muito sobre facas, contava vantagens. A gente só achava aquela conversa boba — lamenta a irmã.
Segundo Alexsandra, familiares de Scarantti não procuraram a família de Liziane. Um irmão dele teria apenas contatado um vizinho para tratar sobre a remoção de pertences da jovem da casa em que eles viviam. Conforme conhecidos, Scarantti era açougueiro e teria começado em um trabalho novo nos últimos dias. Ele tinha dois filhos de um primeiro casamento.
O inquérito da morte de Scarantti será feito pela Delegacia de Santa Rosa. A morte de Liziane será investigada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da cidade.

Fonte: Gaúcha ZH

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