Ministério Público não descarta exumar corpo de adolescente indígena assassinada

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O Promotor de Justiça de Tenente Portela, que responde atualmente também por Coronel Bicaco, Miguel Germano Podanosche, não descarta pedir a exumação do corpo da adolescente Daiane Griá Sales, 14 anos, encontrada morta em Linha Ferraz, interior de Redentora, no dia 4 de agosto, com parte do corpo dilacerado.

O corpo

Com riqueza de detalhes, o representante do Ministério Público afirmou que o corpo estava preservado da cintura para cima, com toda a parte do busto, braços, mãos e rosto completamente intacto. Ela vestia uma blusa. Já da cintura para baixo se notava uma dilaceração total dos tecidos moles, restando apenas o esqueleto (ossos) das pernas. Os pés também estavam preservados.

A perícia determinou em um primeiro momento, que essa dilaceração que retirou todo o tecido mole, como pele e músculos, deixando apenas os ossos, limpos, teria sido causado por ação não humana, o que leva crer que tenha sido ocasionado pela ação de animais que teriam se alimentado do cadáver.

Outra situação que chama a atenção do promotor é fato de que o cadáver estava sem o útero, no entanto, as mamas, que também são formadas por tecidos moles e poderiam ser atacadas por animais, estavam intactas.

O perícia não conseguiu identificar a causa da morte. O promotor acha que dependo do andar das investigações, o Ministério Público poderá pedir a exumação do corpo, para uma nova perícia e tentar assim responder o que de fato tirou a vida da adolescente.

Dois homens já estão presos. Segundo a entrevista do promotor, os depoimentos dos mesmos apresentam várias inconsistências, além de que ambos mudaram de versões várias vezes. A identidade deles não foi divulgado pelas autoridades, mas se sabe, informalmente, que um deles seria natural do interior de Redentora e outro morador de outra cidade, mas com relação de parentesco com moradores daquela região.

O caso

O corpo de Daine Griá Sales foi encontrado no dia 04 de agosto por um agricultor, que ao avistar um número grande urubus sobrevoando parte da lavoura foi até o local para verificar e se deparou com o corpo e com a presença das aves que se alimentavam do cadáver.

O achado ocorreu em Linha Ferraz, que fica exatamente na divida com o setor de Estiva, comunidade indígena da Terra Indígena do Guarita. No local haviam marcas de pneus e foi encontrado ainda materiais genéticos e até uma peça íntima próximas do corpo.

Com as investigações se descobriu que a menina estava sumida de casa desde o sábado anterior, quando esteve em uma festa no Distrito de Vila São João, que também faz divisa com a Terra Indígena do Guarita. A família não tinha feito registro de desparecimento.

Os presos

As investigações até o momento levaram a dois nomes, ambos participantes da festa. Como o caso corre em segredo de justiça, ainda não se sabe quais foram as provas que levaram o delegado a pedir a prisão dos dois por 30 dias, o que foi aceito pela justiça e cumprido pela polícia. O inquérito segue aberto e não se descarta outras participações no crime.

Desde o primeiro momento o crime teve uma grande repercussão, inclusive internacional, com diversas entidades e associações indígenas e de diretos humanos cobrando por justiça. O fato dos dois presos não serem indígenas aumentou ainda mais essa pressão.

Mesmo diante da repercussão o delegado afirmou categoricamente que até o momento não há nenhum elemento de crime racial e sim um crime de natureza sexual, que aconteceu com a adolescente pela mesma ser mulher e não por ser indígena.

O caso corre em segredo de justiça.

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Fonte: Sistema Provincia

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