Morte de taxista, em represália a assassinato de líder de facção, faz polícia descobrir cemitério clandestino em Porto Alegre

Após escavarem cova, agentes encontraram corpo de homem esquartejado na Capital. Foto: Divulgação / Polícia Civil

 

Um homicídio ocorrido no mês passado dá indícios de que a guerra entre facções criminosas ainda está ativa. O caso relembra a barbárie registrada nas disputas do tráfico de drogas em Porto Alegre e Região Metropolitana, principalmente nos anos de 2016 e 2017, embora o número de assassinatos tenha sofrido expressiva queda a partir de 2018. O crime, cometido na Capital e desvendado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), levou a Polícia Civil a localizar o que seria um cemitério clandestino.

O assassinato investigado começou no bairro Vila Jardim, na zona norte de Porto Alegre, e foi a sequência de outro homicídio, registrado 19 dias antes no bairro Bom Jesus, na Zona Leste. Os dois bairros, separados pela Avenida Protásio Alves, estiveram no centro e no início de uma disputa sangrenta entre uma facção criminosa e uma coalizão de quadrilhas, que resultou em dezenas de casos de esquartejamentos e decapitações.

O assassinato da Vila Jardim foi no dia 21 de junho. A vítima, o taxista Renato Ferreira da Fonseca, 33 anos, foi sequestrada por volta de 21h em frente a sua casa, naquele bairro, por quatro homens que, após o balearem em uma das pernas, o colocaram no porta-malas de um carro.

Já no dia seguinte, um sábado, circulou por redes sociais e chegou às polícias Civil e Militar uma foto do taxista ensanguentado, com três pistolas e dois carregadores sobre o abdome e uma faca na boca. No mesmo dia, a Brigada prendeu Nixon Rezende Oliveira, 21 anos, por porte ilegal de arma de fogo. Ele estava com uma pistola.

Ao comparar a arma encontrada com Oliveira e as que apareciam na foto sobre o corpo do taxista, os investigadores passaram a suspeitar de envolvimento do jovem no sequestro de Fonseca. Ao ser questionado por policiais, confessou que participou do crime.

As investigações, encaminhadas à 5ª Delegacia de Homicídios, apontaram que o taxista já estava morto e que seu corpo já deveria ter sido enterrado. Oliveira tentou despistar, apontando uma estrada na Região Metropolitana onde o corpo teria sido carbonizado dentro de um carro incendiado. De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, nesse local “havia indícios”, mas nem o veículo nem o corpo foram encontrados.

— Descobrimos que tinha sido enterrado em outro local. Os bombeiros escavaram e encontraram a vítima esquartejada — diz a delegada Roberta.

Local de desova descoberto

Nesse mesmo local — que fica na Capital, mas não foi divulgado pelos investigadores — foram encontrados outros dois corpos, levando a polícia a concluir que se trata de um cemitério clandestino, usado por criminosos.

Apesar de ter revelado detalhes do plano de sequestro do taxista, Oliveira manteve silêncio em relação aos nomes dos outros envolvidos no crime.

Ainda assim, a polícia acredita ter identificado outro suspeito, cuja prisão preventiva está sendo solicitada à Justiça. A delegada Roberta estima que pelo menos mais quatro pessoas tenham participado dos crimes.

Sobre os detalhes do homicídio, as investigações o relacionaram a uma morte ocorrida no dia 2 de junho, no bairro Bom Jesus. A vítima teria sido um dos líderes da facção que comanda o tráfico de drogas na região, e Fonseca teria contribuído.

— A motivação da morte de Renato (Fonseca) foi o fato de ele ter viabilizado a execução do líder criminoso, apontando sua localização e repassando aos rivais — disse a delegada Roberta.

Desbloqueio de  celular da vítima

A intenção dos sequestradores do taxista não era matá-lo. Teriam sequestrado-o para que revelasse os nomes dos demais envolvidos na morte do líder. No entanto, quando o balearam em uma das pernas, acabaram atingindo a artéria femoral, provocando a sua morte.

Os criminosos, então, arrancaram um dos dedos da vítima e o usaram para desbloquear o celular da vítima, pelo qual enviaram, aos rivais, as fotos do corpo com as armas e a lâmina.

Em entrevista coletiva sobre o caso, a diretora do Departamento de Homicídios, delegada Vanessa Pitrez, exaltou o fato de terem atuado quatro delegados no caso (além de Roberta e Leandro Araújo, o também plantonista Amílcar Souza Neto, e o diretor da Divisão de Homicídios, Eibert Moreira) e também a integração com a BM. O homicídio no bairro Bom Jesus está sendo investigado pela 1ª DHPP. O inquérito com indiciamentos por homicídio e associação criminosa foi remetido ao Ministério Público.

 

Fonte: Gaúcha ZH

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