Operação da Polícia Civil desarticula esquema de venda de diplomas e TCCs

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
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Após seguir o rastro de uma rede de pessoas que vendia diplomas e trabalhos de conclusão de cursos (TCC), especialmente na área da saúde, a Polícia Civil faz operação, nesta quarta-feira (1º), para desarticular o esquema e prender suspeitos. Os nomes de envolvidos não são revelados, mas o Grupo de Investigação da RBS (GDI), que acompanha o assunto desde 2017, apurou que o principal deles é o advogado Faustino da Rosa Júnior.

Esta é a quarta fase da Operação Educatio, que visa coibir a venda de diplomas de especialização falsos, organização criminosa e lavagem de capitais. São cumpridas seis ordens de prisão ´preventiva e quatro de busca e apreensão.

A polícia não deu detalhes do trabalho, mas GZH apurou que, até as 11h, três pessoas haviam sido presas. Faustino não foi encontrado e é considerado foragido. Representante da OAB-RS acompanha os trabalhos da polícia.

Há quatro anos, o GDI revelou a história dos negócios de Faustino, que se intitulava o maior empresário de Ensino Superior do país. A reportagem “O homem da faculdade de papel” revelou suspeitas de irregularidades na oferta de cursos de pós-graduação pelo Grupo Educacional Facinepe.

m 2018, a Polícia Civil deflagrou a primeira fase da ofensiva. Desde então, Faustino e pessoas ligadas a ele são alvo de investigações.

O trabalho da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção (1ª Decor), ao longo dos anos, mostrou que a rede criminosa foi se rearticulando a cada nova investida da polícia, inclusive, com a troca de nome de empresas. A investigação conseguiu mostrar todo o fluxo de falsificação dos diplomas, revelando cada personagem e as funções executadas.

Foram identificados e ouvidos professores que afirmaram não ter ministrado as aulas que constavam como base para a emissão dos diplomas. Com as novas provas, a Justiça decretou a prisão de suspeitos.

Funcionários do grupo admitiram que faziam as falsificações. Também são investigados alunos estrangeiros, que estariam atuando com diplomas falsos.

A apuração reuniu elementos de que a instituição investigada falsificaria centenas de documentos para driblar e enganar a fiscalização de autoridades públicas. O grupo investigado também faria uso de “laranjas” para dar aparência de lícito aos ativos gerados.

O delegado que comanda o trabalho, Max Otto Ritter, destacou, por meio de nota, a importância do trabalho pelo fato de a maior parte dos cursos e diplomas fraudados serem na área da saúde:

— Acaba-se por gerar absoluto risco a integridade física e a vida de pessoas, que serão atendidas por pessoas que sequer teriam a formação básica — disse.

A defesa de Faustino disse que não vai se manifestar, por enquanto.

Relembre a reportagem do GDI

  • A reportagem “O homem da faculdade de papel” revelou a história de Faustino da Rosa Junior, advogado condenado por falsificar diplomas universitários e que se apresentava como um dos maiores empresários do setor de Ensino Superior no país, CEO do Grupo Educacional Facinepe
  • Faustino oferecia cursos de pós-graduação em Medicina e em outras centenas de cursos para médicos brasileiros e sul-americanos, sem valor legal. O Grupo Facinepe tinha mais de mil alunos no Brasil e no Exterior. Os títulos eram emitidos em nome de uma faculdade que estava fechada havia seis anos
  • Após a publicação da reportagem, o GDI descobriu que, com certificado obtido em instituição vinculada ao grupo de ensino Facinepe, um cirurgião plástico colombiano, Daniel Andrés Correa Posada, passou a operar, em Medellín, utilizando-se da fama da escola de medicina plástica brasileira
  • A Facinepe, porém, nunca recebeu autorização do Ministério da Educação brasileiro para operar, tampouco poderia conceder certificados de cirurgião plástico, como o do cirurgião geral colombiano
  • Uma mulher, Diana Perez Giraldo, morreu em decorrência da cirurgia mal feita por Posada. Outras 12 sofreram lesões corporais graves durante procedimentos realizados por ele.

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Fonte: GZH

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