Apesar de o PDT ter formalizado a saída do governo Eduardo Leite (PSD) e da base aliada na Assembleia Legislativa nos primeiros dias do mês de abril, e de ter anunciado a entrega de cargos ocupados na administração estadual, quadros historicamente vinculados ao partido protagonizam uma lenta transição ou seguem em funções no Executivo.
Entre os cargos de maior visibilidade estão o de titular da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Profissional (STDP) e o de adjunto na Secretaria da Cultura (Sedac). Ambas eram comandadas por deputados pedetistas antes de a sigla anunciar sua saída do governo como parte das negociações para a composição de uma chapa liderada pelo PDT, mas em coalizão com as federações PT/PCdoB/PV e PSol/Rede, que fazem oposição à atual administração.
No comando da pasta do Trabalho hoje está José Odair Scorsatto. Ele assumiu a secretaria em abril, após a saída do então titular, o deputado estadual Gilmar Sossella (PDT). Antes, desde 2023, após os trabalhistas apoiarem Leite no segundo turno das eleições de 2022 e entrarem no governo eleito, ocupava o cargo de diretor-presidente da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), posto de confiança de Sossella.
Natural de Arvorezinha, Scorsatto foi secretário municipal de Saúde da cidade na administração do trabalhista Sérgio Velere. Pelo PDT, também se elegeu vice de Velere em 2004. E depois prefeito em 2008. Recentemente, em 2022, concorreu a deputado estadual pelo partido, ficando com a terceira suplência.
Na Cultura, Fabiam Thomas, quadro conhecido do trabalhismo, permaneceu até o dia 17 de junho no cargo de secretário-adjunto. Ele foi prefeito de Giruá duas vezes pelo partido, presidiu a Associação de Prefeitos e Vices do PDT/RS por três gestões e, entre 2017 e 2020, foi assessor e chefe de gabinete do deputado Eduardo Loureiro (PDT) na Assembleia Legislativa. Em 2020 se elegeu vereador em Giruá.
Nome de confiança de Loureiro, Thomas já era adjunto quando o deputado comandava a pasta, até abril. Na transição entre Loureiro e o atual titular, André José Kryszczun, foi ele quem assumiu a titularidade da secretaria. Na quarta, 17, foi substituído por Valmir Bohmer.
MDB vai usar questão de cargos na campanha
A troca na Cultura foi formalizada poucos dias após o pré-candidato do MDB ao Piratini, o vice-governador Gabriel Souza, fazer uma provocação à pré-candidata do PDT, Juliana Brizola, durante debate dos postulantes ao Piratini na Federasul, no dia 10. “Estamos juntos nessa dos 12 anos de governo. O PDT junto conosco. O PDT esteve no governo que agora tu critica. Aliás, está junto ainda, vamos ser francos. Temos gente do PDT lá no governo.”
No dia 17, em debate de pré-candidatos a vice, o deputado Ernani Polo (PSD), companheiro de chapa de Gabriel, voltou à carga. “O PDT participou dos últimos sete governos. Isto é fato”, disse. Os pedetistas, na verdade, ficaram independentes na primeira gestão Leite, apesar de terem integrado, em algum momento, as administrações de Olívio Dutra, Germano Rigotto, Yeda Crusius, Tarso Genro, José Ivo Sartori e a segunda de Leite.
Articuladores da pré-campanha de Gabriel não escondem que pretendem usar as participações antigas e atuais para tentar desgastar não apenas Juliana e sua coalizão, mas ainda a chapa de Luciano Zucco (PL). O PL tem na sua aliança PP, Republicanos, Podemos e Novo. Os três primeiros também integraram a base da atual gestão e governistas garantem que nem todas as funções foram desocupadas.
As listas de nomes não são exclusividade do MDB. Aliados do PT, que tem o vice na chapa de Juliana, também fizeram um levantamento de todos os remanejamentos envolvendo pedetistas dentro da estrutura de governo.
Fonte:Correio do Povo





















