Pelo menos 10 mil canetas emagrecedoras foram vendidas em Passo Fundo em 2026

Uso combinado com atividade física, boa alimentação e qualidade do sono é recomendado. Diana / adobe.stock.com
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Entre janeiro e abril de 2026, farmácias de Passo Fundo registraram a venda de pelo menos 10 mil canetas emagrecedoras. Somente na rede de farmácias São João, foram 9,2 mil unidades vendidas.

Conforme os registros da empresa, a medicação mais vendida foi a Mounjaro, seguido de Wegovy e Povitztra. O levantamento não considera a Ozivyprimeira caneta emagrecedora brasileira, que começou a ser vendida em junho. Veja as vendas por caneta:

  • Mounjaro: 5.053 unidades
  • Wegovy: 1.841 unidades
  • Poviztra: 1.530 unidades
  • Ozempic: 549 unidades
  • Olire: 162 unidades
  • Extensior: 112 unidades
  • Saxenda: 17 unidades
  • Lirux: 8 unidades
  • Victoza: 6 unidades

Desde 2025, farmácias e drogarias exigem receita médica para compra desses medicamentos. No Estado, o preço varia entre R$ 359,40 a R$ 4.668,40 conforme a apresentação (quantas canetas e qual a dosagem, por exemplo) do medicamento.

Este valor é limitado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que indica os máximos que podem ser cobrados dos consumidores. As canetas mais procuradas em Passo Fundo seguem a tabela de valores:

  • Mounjaro: preço máximo varia entre R$ 658,61 a R$ 4.668,40
  • Wegovy: preço máximo varia entre R$ 1.323,37 e R$ 2.549,64
  • Poviztra: preço máximo varia entre R$ 1.323,37 e R$ 2.549,64

“Objetivo vai além da balança” diz especialista

O uso das canetas é indicado pra pessoas cujo excesso de peso causa prejuízos à saúde ou aumenta o risco de desenvolver doenças. De forma geral, é recomendado para pessoas com obesidade, ou com sobrepeso associado a complicações — como diabetes tipo 2, hipertensão e gordura no fígado, explica a médica endocrinologista do Hospital de Clínicas (HC) de Passo Fundo, Camila Mezzomo:

— O objetivo vai além de reduzir um número na balança. O foco é promover uma melhora global da saúde e da qualidade de vida, por meio de uma redução sustentada da gordura corporal e de seus impactos no organismo. Felizmente, existe uma maior conscientização de que a obesidade é uma doença que pode e deve ser tratada.

Essas medicações representam um avanço importante, mas precisam estar alinhadas a hábitos saudáveis. As própria bula apontam a necessidade associar o uso à dieta e exercício físico. O acompanhamento médico também é recomendado.

— Como qualquer tratamento médico, seu uso deve ser orientado e acompanhado por um profissional habilitado. Elas não devem ser encaradas apenas como produtos estéticos ou soluções rápidas para emagrecer — comenta a endocrinologista.

O acompanhamento médico é necessário para avaliar o tratamento, ajustar as doses e monitorar a resposta do paciente ao uso do medicamento.

— A automedicação pode levar ao uso inadequado das doses, aumentar o risco de efeitos adversos e atrasar o diagnóstico de condições que exigem avaliação médica. Além disso, existe preocupação com a utilização de produtos sem registro ou sem procedência confiável — completa a médica.

Como agem as canetas emagrecedoras?

A maioria das canetas compradas na cidade são feitas a base de um mesmo composto, a semaglutida. Os medicamentos Wegovy, fabricado pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, e o Poviztra, da Eurofarma, são compostos por semaglutida, ambos indicados para o tratamento da obesidade em adultos.

Já o Mounjaro, produzido nos Estados Unidos pela farmacêutica Eli Lilly, faz parte de uma outra classe de medicamentos. Neste caso, a composição é por tirzepatida. Na bula, a fabricante indica uso, por exemplo, para melhora do controle glicêmico de adultos com diabetes tipo 2 e para controle crônico do peso.

Ambas as substâncias são hormônios que atuam no centro da fome e da saciedade. A diferença é que a semaglutida é análoga a um hormônio, enquanto a tirzepatida imita dois hormônios do tubo digestivo.

Fonte: GZH

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