O ataque que aterrorizou Criciúma, no sul de Santa Catarina, contou com a participação de cerca de 30 criminosos, que estavam em 10 veículos. Fortemente armados, os bandidos usaram ao menos 200 quilos de explosivos na ação ocorrida durante a madrugada desta terça-feira (1º).
Segundo a polícia catarinense, embora não tenham sido localizadas armas até o momento, pelas imagens captadas durante a ação é possível ver que o grupo utilizava armamentos de grosso calibre, como fuzis 556 e 762 e uma metralhadora .50, capaz de derrubar aviões. Diversas fotos e vídeos mostrando a ação na cidade foram divulgadas nas redes sociais.
Foram realizados disparos em vários pontos do município, inclusive no Batalhão da Polícia Militar. Os criminosos ainda tentaram incendiar um túnel que dá acesso a Criciúma, na BR-101, para evitar a aproximação da polícia.
Durante o ataque, duas pessoas ficaram feridas. Um policial foi atingido por um disparo no abdômen e está hospitalizado, e um vigilante também foi baleado.
— A gente entrou em pânico. Foi assustador — relatou um morador na manhã desta terça-feira.
O advogado Luís Frederico de Souza, 50 anos, pensou se tratar de fogos de artifício ao ouvir os estrondos. Quando percebeu o que era, pegou a família para se esconder em um quarto.
— Eu, minha esposa e os dois filhos ficamos amontoados em um canto do quarto por quase duas horas, até tudo acabar — contou.
Segundo o delegado Anselmo Cruz, da Divisão Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), os 10 veículos usados pelo grupo foram localizados durante a manhã. Os carros estavam abandonados em uma lavoura no município de Nova Veneza, que fica a oeste de Criciúma, distante cerca de 20 quilômetros. Nos veículos, conforme o delegado, não havia nenhum material usado na ação, nem dinheiro.
— Foi uma ação bastante violenta, por volta da meia-noite, durou uma hora e 45 minutos. Sem dúvidas foi a ação mais violenta da história do Estado de Santa Catarina. Pelo menos duas dezenas de fuzis, com três calibres: 556, 762 e .50. Grande poder de fogo. Pelo modus operandis (modo de agir), já se aponta para fora do Estado. Não são criminosos locais. Essa é a primeira informação da investigação que começou a ser feita agora — afirmou o delegado.
Em coletiva de imprensa no final da manhã, o delegado voltou a afirmar que a ação indica que os criminosos sejam de fora de Santa Catarina. Segundo ele, uma das suspeitas é de que o grupo seja de São Paulo, com envolvimento em outros ataques semelhantes:
— Temos absoluta certeza de que se trata de ação planejada com vários meses de antecedência. Não temos criminosos com esse perfil em Santa Catarina.
O delegado também falou novamente sobre o tipo de armamento usado pelos bandidos e destacou que, além dos fuzis, foi empregada uma metralhadora .50. A arma tem capacidade para abater aeronaves.
— Já se identificou uma arma usada durante a ação, capaz de perfurar blindadas e ser usada como arma antiaérea — disse Cruz.
Fonte: Gaúcha ZH





















