Reconstituição do caso Miguel termina em Imbé; companheira relata que não viu a mãe colocar menino em mala, diz perícia

Miguel foi morto pela mãe e teve corpo atirado no Rio Tramandaí, em Imbé, segundo a polícia — Foto: Reprodução/RBS TV
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Terminou por volta das 23h desta segunda-feira (8) a reconstituição do caso do menino Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos. Conforme inquérito policial e denúncia do Ministério Público, a criança foi morta pela mãe e pela companheira dela em julho deste ano e cujo corpo foi jogado no Rio Tramandaí, em Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. As duas respondem na Justiça por tortura, homicídio e ocultação de cadáver.

A mãe do menino, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, não participou da reprodução simulada dos fatos. “Ela mantém a versão inicial, diz que é inocente e que vai contar o que aconteceu no interrogatório”, afirma o advogado de defesa da ré, Jean Severo.

Já a companheira de Yasmin, Bruna Nathiele Porto da Rosa, foi ouvida por peritas do Instituto-Geral de Perícias (IGP). “Estamos torcendo para que ela fique calma e dê tudo certo até o fim”, projeta a advogada Helena Von Wurmb, que defende Bruna.

 

Reprodução simulada dos fatos

Bruna prestou depoimento na Delegacia de Imbé, por volta das 17h30, e deixou o local por volta de 19h40.

Em entrevista coletiva, o delegado afirmou que um boneco foi adquirido para simular o corpo do menino. Ele espera que a reprodução acrescente detalhes ao inquérito, mas acredita que grande parte esteja comprovada por meio de imagens de câmeras de segurança e laudos periciais.

“Tudo isso para que seja feito o levantamento fotográfico da perícia, para enriquecer esta investigação criminal, porque tudo vai servir de subsídio para o conhecimento do jurados que irão julgá-las”, afirmou.

Delegado Antonio Carlos Ractz, em entrevista coletiva em frente à delegacia de Imbé (RS) — Foto: Reprodução/RBS TV
Delegado Antonio Carlos Ractz, em entrevista coletiva em frente à delegacia de Imbé (RS) — Foto: Reprodução/RBS TV

A ré foi à pousada onde morava com Yasmin e Miguel, mas, antes de ingressar, permaneceu cerca de 30 minutos dentro da viatura.

No local, segundo a perita criminal Bárbara Cavedon, ela descreveu o que teria ocorrido no dia do crime, desde a manhã até a noite. No entanto, conforme a perita, ela alega não ter testemunhado o momento em que Miguel teria sido colocado na mala pela mãe:

“Toda a ação foi em cima do que ela nos trouxe. Tem ações que ela refere não ter ouvido ou estar em outro cômodo. Ela relata não ter visto este momento. Utilizamos o boneco e utilizamos a mala, mas ela relata não ter visualizado o menino Miguel sendo colocado dentro da mala”, afirma.

A perita descreve que, além das circunstâncias ocorridas no apartamento, Bruna foi ao local à beira do Rio Tramandaí onde Yasmin teria jogado a mala. Ela afirma, entretanto, que ficou em um ponto mais distante e que somente a mãe teria ido à beira do rio.

“A gente fez da mesma forma que ela referiu. Reproduziu esta parte com fotografias. Segundo a versão dela, a Yasmin teria ido mais próxima do rio e ela, mais afastada”, relata.

O boneco foi testado dentro da mala e, conforme a perícia, ele caberia no objeto. Isto, contudo, não deve ser incluído no laudo, já que Bruna não refere ter visto esta ação.

Como perícia foi baseada em apenas um depoimento, laudo deve ser concluído em cerca de 30 dias, projeta a perita.

Audiências

Além da reprodução simulada dos fatos, as audiências de instrução devem ocorrer em 18 e 19 de novembro, na 1ª Vara Criminal de Tramandaí, no Litoral Norte. O interrogatório das rés deve acontecer no dia 19. Ao todo, serão ouvidas 23 testemunhas, sendo 20 convocadas pelo Ministério Público (uma delas em comum com Yasmin) e três pela defesa de Bruna.

Ela recorre de decisão judicial que, baseada em laudo pericial, concluiu que a ré é plenamente capaz de entender o caráter ilícito de seus atos. Bruna passou por avaliação psicológica em razão da instauração de incidente de insanidade mental.

De acordo com o promotor André Luiz Tarouco Pinto, que acompanha a reprodução simulada dos fatos, o depoimento de Bruna não trouxe nenhuma novidade à denúncia. Para ele, se o processo seguir o andamento normal, elas devem ser julgadas em meados de 2022.

“A gente vai submeter todas as provas ao contraditório. Mas tudo que foi até então colhido, na visão do Ministério Público, tem elementos suficientes para pedir a condenação ou que sejam encaminhadas ao plenário, para que sejam julgadas pela comunidade de Imbé”, afirmou na saída da delegacia.

Histórico

Miguel dos Santos Rodrigues foi considerado desaparecido no dia 29 de julho. A mãe do menino, Yasmin, confessou que dopou e matou o filho, jogando o corpo no Rio Tramandaí. O Corpo de Bombeiros Militar fez buscas no mar e no leito do rio por 48 dias, sem nunca encontrar o corpo do menino.

No apartamento onde a vítima vivia com a mãe e a companheira dela, a polícia identificou indícios de maus-tratos. Miguel era obrigado a escrever frases ofensivas em caderno, de acordo com o inquérito. Conforme a perícia, o sangue encontrado em uma camiseta e em uma corrente eram do menino.

Nem o Conselho Tutelar de Imbé, nem o de Paraí, cidade da Serra onde a família vivia anteriormente, tinha conhecimento das suspeitas de agressão. Semanas antes do crime, a avó materna de Miguel havia iniciado um processo para obter a guarda da criança.

Vídeos divulgados pela investigação revelaram uma rotina de agressões ao menino. Mensagens interceptadas pela polícia mostraram que a mãe de Miguel pesquisou na internet se ‘digitais humanas saem na água salgada do mar’.

“Ela foi morta dia após dia não sendo alimentada e sendo dopada e sendo agredida”, conclui o delegado Ractz Jr.

Mapa mostra localização, em Imbé (RS), onde mãe teria jogado corpo do filho. — Foto: G1/Arte
Mapa mostra localização, em Imbé (RS), onde mãe teria jogado corpo do filho. — Foto: G1/Arte

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FONTE: G1

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