Santa Maria registra o primeiro semestre mais violento dos últimos 10 anos

Foto: Ilustrativa/Divulgação
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Santa Maria bateu um triste recorde no primeiro semestre de 2022. Os seis primeiros meses deste ano foram os mais violentos dos últimos 10 anos e, possivelmente, da história da cidade. A reportagem do Bei analisou dados da Secretaria de Segurança Pública desde 2013, levando em conta os crimes contra a vida como homicídio, latrocínio (roubo com morte) e feminicídio.

Em um comparativo com 2021, o número chega a assustar, pois houve um aumento de 77,2% nos crimes. No primeiro semestre deste ano, aconteceram 39 assassinatos, 17 a mais do que nos primeiros seis meses do ano passado, quando foram registrados 22. As autoridades da área da segurança afirmam estar trabalhando para combater a criminalidade e mostram números crescentes de apreensões de armas, adolescentes infratores e prisões.

O aumento de quase o dobro de assassinatos começou com o registro de quatro mortes em janeiro de 2022, uma a menos do que em 2021. Mas, em contrapartida, fevereiro e março foram sangrentos em Santa Maria, quando os acertos de contas vitimaram oito pessoas em cada mês, enquanto que em 2021 foi registrada apenas uma vítima em cada um dos meses.

No ano passado, abril bateu recorde e registrou nove crimes. Neste ano, abril não ficou tão longe de ser violento, com sete execuções na cidade. Já maio e junho de 2021 tiveram, juntos, seis assassinatos, enquanto os mesmos meses deste ano registraram o dobro de mortes: 12. Houve seis vítimas em maio, e outras seis em junho.

As 40 mortes registradas em 2022 até esta quarta-feira (13) já representam quase 70% do total de assassinatos em todo o ano passado, quando foram registrados 58 crimes em Santa Maria.

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Tentativas

Outro crime que vem chamando a atenção da polícia são as tentativas de homicídio, que também registraram um grande aumento e passaram de 68 em 2021 para 90 em 2022 nos primeiros seis meses. O delegado regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, reconhece a alta dos crimes, os quais atribui à disputa entre facções criminosas pelo domínio no tráfico de drogas.

Ele garante que a polícia está trabalhando nas investigações.

– A polícia vem melhorando a sua resposta, vem aprimorando a sua metodologia de investigação, investindo muito em inteligência policial, e juntamente com a Brigada Militar, com a Susepe, ou seja, na troca de informações entre as agências de inteligência, em trabalhos em conjunto, e em ações coordenadas, muitas pessoas foram presas e muitos desses fatos já foram esclarecidos. Não só os homicídios consumados, mas também os tentados – afirma.

Já o delegado Gabriel Zanella, titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), afirma que assim como os crimes aumentaram, o trabalho dos investigadores também, e que cada dia mais autorais são apontadas, crimes esclarecidos e suspeitos são presos.

Conforme ele, quase todas as vítimas e suspeitos possuem antecedentes e algum envolvimento com o crime.

– Estamos com praticamente o dobro de crimes. É importante ressaltar que, a exemplo dos anos anteriores, a maioria das vítimas são homens, adultos jovens, e tanto vítimas quanto agressores são pessoas com diversos e graves antecedentes policiais e passagens pelo sistema prisional. A Polícia Civil tem trabalhado de forma intensa esclarecendo a autoria e a motivação desses graves crimes. Tanto isso é verdade que  já prendemos 25 adultos, apreendemos 13 adolescentes infratores, bem como localizamos e apreendemos diversas armas de fogo – diz Zanella.

 

Ousadia e mortes em confronto com a polícia

Juliano Silva Zambrano da Costa, 32 anos, morreu em uma troca de tiros com policiais do 2º Batalhão de Polícia de Choque (2ºBP Choque) da Brigada Militar (BM) na madrugada do dia 2 de abril. Os policiais faziam patrulhamento pela Linha Velha da Fronteira, na região Norte da cidade, em busca de um carro que teria sido usado em uma tentativa de homicídio quando teriam sido alvo de tiros. Um dos policiais revidou e acertou Costa, que foi socorrido pelos próprios policiais, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24 horas.

Um revólver calibre 38 foi apreendido com munições intactas e deflagradas. Dentro do carro, que pode ter sido usado na tentativa de homicídio, os policiais apreenderam cápsulas de calibre 9 milímetros, mesmo calibre utilizado na tentativa de homicídio na Rua Miguel Meirelles, no Bairro Noal. Um homem de 46 anos foi ferido a tiros.

 

Crimes com mais de uma vítima

Um dos motivos para o aumento elevado nas estatísticas, foram os crimes com mais de uma vítima registrados no mesmo dia em pelo menos cinco datas de janeiro a julho. O primeiro registro de duas mortes foi em 27 de janeiro, quando Luciano Messias Neto, 41 anos, foi morto a tiros na Travessa dos Engenheiros, no Bairro Nova Santa Marta e Volmar Garces do Santos, 57, foi morto a facadas pelo irmão após uma discussão por herança. O crime aconteceu na Rua Francisco Fagundes da Cunha no Bairro Boi Morto.

Em 21 de março, Karyon Mello Pereira, 15 anos, foi executado a tiros em casa na Rua Oito de Junho no Bairro Camobi. Cinco minutos depois, Lorran Gonçalves Carvalho, 21, foi morto também em casa, na ERS-511 estrada para o distrito de Arroio Grande.

O terceiro caso foi em 21 de abril, quando Anderson dos Santos, 29, e Fabiana Graúna, 39, foram executados na Rua 1 do Beco da Babilônia. Santos morreu no local, já Fabiana não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital.

A quarta e mais grave ocorrência foi no dia 6 de junho, quando Santa Maria registrou o primeiro triplo homicídio do ano. Ângelo dos Santos Parcianello, 29, Bianka Escobar Melo, 26, e Marcos Vinicius Souza Machado, 26 anos, foram baleados dentro de um carro na Travessa da Chaminé, na Vila Natal, no Bairro Noal. Eles chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.

O último registro com mais de uma morte no mesmo dia foi em 27 de junho, após uma perseguição policial. Adair José de Oliveira Ferreira, 32, e Fabiano Becker Brum, 41, foram mortos após descerem do carro com as armas apontadas para policiais na Rua Antônio Dias da Silva, no Loteamento Brenner no Bairro Divina Providência.

Frentes de combate à criminalidade envolvem ações por ar e terra

Enquanto a Polícia Civil investiga os crimes para apontar a autoria, os mandantes e as motivações, a Brigada Militar faz o policiamento diário nas ruas da cidade para garantir a segurança da população, prendendo foragidos, apreendendo drogas e tentando desarmar criminosos. Conforme o subcomandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), major Antônio Marcos da Silveira Moreira, os números mostram o trabalho feito diariamente.

– A Brigada Militar (BM), desde o início do ano de 2022, vem desencadeando a operação Santa Maria Segura. A operação tem como objetivo o combate a repressão e aos crimes violentos letais e intencionais, com ênfase ao homicídio – informa.

De acordo com o major, mais de 100 armas de fogo foram retiradas de circulação e cerca de 90 foragidos da Justiça foram recapturados e apresentados na Polícia Civil até agora. Também foram recuperados mais de 60 veículos que haviam sido furtados ou roubados na cidade.

– A Brigada Militar de Santa Maria continuará trabalhando na prevenção e repressão aos crimes – assegura Moreira.

 

Sociólogo diz que guerra entre facções é o principal motivo do aumento dos crimes

O sociólogo, psicólogo e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Francis Moraes de Almeida credita a alta de mortes e a violência aplicada nos crimes ao acerto de contas entre facções criminosas organizadas. Para ele, o aumento foge da normalidade.

– Sobre o aumento súbito no índice de homicídios, sem reflexo em igual escala em latrocínios e feminicídios, é provável que seja decorrente de intensificação no conflito entre facções criminosas, o que geralmente responde a disputas por influência de território ou à entrada de uma nova facção na região, dado que no Estado coexistem várias facções concorrentes (diferente do caso de São Paulo, por exemplo, Estado no qual a hegemonia absoluta de uma delas acabou produzindo uma redução no índice de homicídios em virtude da redução dos conflitos, justamente por conta da hegemonia – aponta.

Para o sociólogo, o aumento das tentativas de homicídio vai no mesmo caminho dos homicídios, dada a maior violência dos crimes e o uso de múltiplos disparos. Almeida afirma, ainda, que o maior acesso legal a armas e munição nos últimos quatro anos pode ser correlacionado ao aumento da violência, pois a maior circulação legal de armamento permite que parte acabe chegando nas mãos de criminosos por furto e roubo.

O professor destaca o crescimento nos índices de homicídios em Santa Maria, no Rio Grande do Sul e no Brasil nos últimos anos, conforme mostram dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Entre 2013 e 2019, a taxa de homicídios em Santa Maria foi de 20,4 por 100 mil habitantes, contra 14 no período de 1980 a 2019. O aumento no período foi de 46%.

Segundo a estimativa, a projeção é de que a cidade bata o recorde histórico de assassinatos em 2022, caso o número de mortes siga na mesma proporção, chegando a 80 no final do ano.

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Fonte: BEI – Maurício Barbosa, mauricio.barbosa@bei.net.br

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