Santo Ângelo: Tragédia anunciada: autor de feminicídio já indicava assassinato de ex-companheira

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A morte de uma mulher com mais de 15 facadas chocou a comunidade no último dia 10, no bairro Maria Ritter. Este foi o segundo feminicídio do ano no município. A vítima, Jane da Luz, 49 anos, vinha de uma relação abusiva, segundo relatos da própria família.

“Eu não sei se era amor ou era medo”, disse a irmã, Marilene, em entrevista. Ela, a mãe da vítima, Gomercinda da Luz, e a sobrinha, Haline, receberam a reportagem do Jornal A Tribuna na sexta-feira, 12, quando deram detalhes da relação do casal. Segundo a família, os dois se conheceram  e uma semana depois já decidiram morar juntos. Durante os seis anos que se seguiram, a relação dos dois foi de idas e vindas, e muito desacerto. “Ele era possessivo, não deixava nem ela vir na minha casa”, conta a mãe da vítima, de 89 anos. Dona Gomercinda até hoje busca explicação para o que aconteceu com a filha. “Era um homem que se dizia da igreja, era pastor, fazia orações, e pregava palavras que depois, conforme a Jane contava, não pareciam de um cristão. Ele brigava por tudo, não deixava ela sair de casa, até as roupas dela foram mudadas. Quando ela casou com ele era uma mulher alegre, e nas últimas vezes que a vimos era uma pessoa totalmente infeliz”, desabafou.

A sobrinha da vítima, Haline, disse que o crime chocou a família. E deixou um alerta para a sociedade: “que cada mulher observe os sinais. Quando terminar um relacionamento abusivo não volte. Nós cansamos de dizer para ela não voltar para ele, mas ela não ouvia. Alguns dias antes da separação havia um chá de bebê de uma prima nossa e ele não deixou ela ir. Ela mandou escondido dele o presente e pediu para eu levar”, diz. Haline também conta que o autor do feminicídio seguia a vítima. “Ficava na esquina do trabalho dela, todos os dias, esperando ela sair”, disse.

A família conta que a vítima muitas vezes pedia socorro, mesmo quando residia em Vitória das Missões, para onde o casal se mudou logo depois do casamento. A família ia buscá-la e, logo depois eles reatavam. “Não sei se era amor ou era medo”, diz Marilene.

Para a família, a submissão deve ser avaliada com muito cuidado. E, também, os sinais de um futuro agressor. “As pessoas têm que colocar limites nos filhos a partir da primeira idade. Mostrar o caminho, o que é certo na forma de educar. Hoje uma criança mata um gato, um passarinho, amanhã pode matar uma pessoa”, conclui a sobrinha da vítima.
Jane da Luz saiu de casa pela primeira vez com 24 anos, logo que deu à luz ao primeiro filho, e foi morar com o marido. Nascida no interior, ela trabalhou por muito tempo em residências e empresas, como auxiliar de limpeza. Quando o primeiro casamento terminou, ela voltou a morar com a mãe, com quem o filho de 25 anos ainda reside.

O autor do feminicídio foi encontrado morto na sexta-feira, na cela que ocupava no Presídio Regional de Santo Ângelo.

Vítima pedia conselhos à família

A irmã de Jane da Luz, Marilene, concordou em mostrar algumas mensagens que trocava com a vítima. Em uma delas, Jane pede conselhos para a irmã, e diz que está com pena do agora autor de sua morte. Marilene contou que como ele costumava perseguir a vítima na rua, e mostrar arrependimento, queixar-se de doença, ela ficava sem saber o que fazer. A família disse que era a forma que ele encontrava de fazer ela lhe dar atenção.
Jane era uma pessoa amorosa com todos. Nas mensagens, segundo a família, palavras como “não se esqueça que eu te amo”, eram comuns ela escrever para a irmã, a sobrinha e a mãe. “Ela tinha um bom coração”.

Medida protetiva não impediu o crime

A vítima do feminicídio ocorrido esta semana possuía uma medida protetiva contra o autor do crime, o que não impediu seu assassinato de forma brutal.
A titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, delegada Elaine Maria da Silva, disse nesta sexta-feira, 12, que muitas vezes a vítima tem um vínculo afetivo com o agressor, uma dependência emocional devido a história de vida, que se sobrepõe a medida protetiva. Ou, mesmo, uma dependência econômica, e também pelo fato de a própria violência ser cíclica.
“Há o momento da crise, do conflito, e depois ocorre a reaproximação, a reconciliação”, disse, destacando que isso acontece muito em uma relação entre gêneros, e que essas relações são muito mais complexas do que se possa imagina.

 

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Redação Grupo Sepé

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