Quarta onda da pandemia: especialistas avaliam chances de novo pico de mortes no RS

Atendimento em ala do Hospital de Clínicas em Porto Alegre, durante o terceiro pico da doença, em março — Foto: HCPA/Divulgação

O Rio Grande do Sul enfrenta o risco de uma quarta elevação da curva de mortes pela Covid, enquanto o Brasil se prepara para a terceira. Segundo especialistas em saúde e dados ouvidos pelo G1, números de novos casos e alta nas hospitalizações no estado causam alerta e indicam a necessidade de reforço nos cuidados.

No estado, o primeiro pico da doença aconteceu no inverno do ano passado, com um recorde de média móvel de 58 em 6 de agosto. Depois, antes do fim do ano, viu uma nova elevação, com média móvel de mortes atingindo 71, o recorde do ano, em dezembro.

Em 2021, após uma ligeira queda entre janeiro e fevereiro, os números começaram a escalar rapidamente. Em 1º de abril, a média móvel atingiu 303, após um mês de sucessivos recordes na alta dos casos e mortes.

Entre março e abril, o estado extrapolou ocupação máxima de UTIs, que passaram a operar no último nível do plano de emergência estadual. A partir da primeira semana de abril, as mortes reduziram, mas vêm apresentando estabilidade nas últimas semanas.

O epidemiologista, professora da UFPel e coordenador da Epicovid, Pedro Hallal, lembra que as ondas da doença vêm se sucedendo sem que tenha havido recuperação no nível anterior à elevação.

“O grande perigo dessa nova elevação é que já parte de patamares elevados”, analisa.

Tanto que a variação não deveria ser considerada uma onda, na visão do especialista. “Eu fico em dúvida da terminologia de quarta onda. Se a gente pegar uma onda, como ela faz, ela se forma, vem, estoura e vai até a beira da praia. Na Covid nunca acabam as ondas. O que acontece é que uma nova onda vai se formando a partir do anterior”, afirma.

Hallal acredita que o desempenho do RS na vacinação, que está entre os estados com números mais avançados, seja um aspecto positivo para evitar um novo agravamento no nível que foi em março.

E em relação ao Brasil, o estado demonstra particularidades: “O RS de março a setembro do ano passado tinha números maravilhosos. Nossa pandemia é mais tardia. Para mim, isso tá diretamente relacionado a tratar o distanciamento controlado com ciência e tratar com política”, sinaliza.

‘Sempre dá tempo de mudar o comportamento’

A reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, considera que, apesar de sinais como a alta nas hospitalizações em UTI, que atingiu níveis críticos e nesta segunda-feira (31) ficou em 86%, é possível evitar cenários trágicos com a conscientização da população.

“É muito difícil prever, tentando não fazer exercícios de futurologia. Mas sempre dá tempo de mudar o comportamento”, avalia.

“Acho que a gente pode evitar um pico como o que aconteceu em março, ainda dá tempo. Tem dois elementos que podem ser importantes pra gente não ter uma onda igual: as pessoas saberem, conscientemente aumentarem os cuidados, e o segundo elemento é a vacina”, aponta.

Em comparação ao cenário nacional, a especialista avalia que o estado “começou bem”, com números baixos da pandemia no ano passado. “Depois começou uma polarização, uma exaustão. E uma série de mudanças em janeiro, mudanças de rumo do estado. E aí a partir parece que quando virou o ano as pessoas cansaram da pandemia”.

A variante P.1, originada em Manaus, foi apontada como a causadora do pico de março, e segue predominando no estado. “Nenhuma variante, por pior que seja, consegue se espalhar se as pessoas estiverem mantendo os cuidados. É a variante mais a falta de cuidado, com uso de máscaras, distanciamento e ventilação”, aponta.

Até o momento, não há confirmação da variante indiana no estado. Lucia alerta: “É possível que uma nova variante mais transmissível vá piorar muito a situação se o comportamento se mantiver igual”.

Não dá para ‘pagar para ver”

O cientista de dados e coordenador da Rede Análise Covid, Isaac Schrarstzhaupt, afirma ao G1 que percebe tendências de reversão na queda de casos e hospitalizações desde abril.

“Para saber da violência da onda, teríamos de ter certeza sobre o número de suscetíveis que ela pode pegar, e esse número não temos. Dessa forma, eu sempre digo o que disse nos outros aumentos: não dá pra ‘pagar pra ver’. Quando há um aumento de casos de Covid-19 é motivo para agir instantaneamente, pois já vimos do que essa doença é capaz”, diz.

Diferentemente do primeiro ano da pandemia, quando as curvas aumentavam primeiro nas regiões do Norte do país para depois ampliarem no RS, Isaac vê agora a pandemia no estado mais “coordenada” com o Brasil.

“Desde o começo de 2021 tivemos a chegada da doença a praticamente todo o país e aí os aumentos/quedas ficaram um pouco mais sincronizados do que em 2020, quando tínhamos um “caminho” que começava pela região Norte e só depois chegava na região Sul”.

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Fonte: G1
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